A Folha de S. Paulo, um dos maiores jornais impressos do país, enviou esta semana um comunicado interno a todos os seus jornalistas, no qual cria algumas regras de conduta para a atuação de seus profissionais em blogs e no Twitter.
Resumidamente, “pede-se” aos autores que não assumam posições favoráveis ou contrárias a partidos, candidatos ou campanhas, além de vedar a publicação de “furos”.
Veja na íntegra o comunicado, assinado pela editora-executiva, Eleonora de Lucena:
“Os profissionais que mantêm blogs ou são participantes de redes sociais e/ou do twitter devem lembrar que:
a) representam a Folha nessas plataformas, portanto devem sempre seguir os princípios do projeto editorial, evitando assumir campanhas e posicionamentos partidários;
b) não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL. Eventualmente blogs podem fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica da Folha.”
Com a possibilidade de se publicar notícias e comentários com rapidez, criou-se um potencial conflito de interesses entre o jornalista e veículo para o qual trabalha. Agora, direta ou indiretamente, ambos competem pela atenção do público e pela primazia de informá-lo.
Para mim, jornalista com oito anos de experiência, existem algumas questões que precisam ser observadas:
* é compreensível que o Grupo Folha queira zelar pela imagem de seus jornalistas, mas, a menos que esteja especificado em contrato ou haja algum tipo de acordo, um jornalista não representa, necessariamente, fora de seu horário de expediente (e dos domínios da redação), o veículo de comunicação para o qual escreve. O que deveria nortear essa questão é a ética profissional e o bom senso.
* a posição da Folha de não querer que os jornalistas publiquem “furos” é evidente e lógica. Não conheço nenhum veículo que aceitaria esse tipo de atitude. Afinal, quem manteria um concorrente dentro de sua própria redação?
* em relação ao conteúdo exclusivo, se ele é exclusivo, é porque há alguém disposto a pagar por ele e, por isso, pode-se entender a posição do jornal – esse é o mercado que ela atua e é óbvio que não aceitará abrir mão de sua produção. Mas, desde que não haja abuso (por exemplo, a publicação constante de todos os textos de determinado jornalista em seu blog), não vejo problema na publicação eventual de matérias ou de trechos. Aliás, seria mais proveitoso.
* agora, querer limitar a opinião de seus profissionais em blogs, Twitter e afins é lamentável! Já li e ouvi várias vezes que a Folha de S. Paulo é bastante rigorosa em relação à imagem de seus jornalistas, que estes devem pedir autorização para tudo – entrevistas, palestras etc. Mas restringir a liberdade de expressão é um abuso de direito. Muitos citarão a questão da imparcialidade como motivo suficiente para essa limitação. Mas, fora de sua atuação profissional – que, de fato, o impede de expressar opiniões –, o profissional continua sendo um ser pensante, capaz de formular opiniões e julgamentos. Assim, estando fora de seu expediente e deixando claro que aquele material postado em seu blog representa única e exclusivamente sua opinião, e não do veículo em que atua, qual o problema? Se algo der errado, ele que arque com as consequências, não o jornal, e pronto!
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No dia seguinte…
TV Globo restringe uso de blogs,Twitter e outras redes sociais