[Um pequeno desabafo...]
Dois anos após sair da revista, finalmente eu posso dizer que encerrei meu ciclo no mercado de seguros. Virei a página, fechei a porta ou qualquer outra metáfora babaca que possa existir.
Agora sim eu sei que estou livre de uma área que nunca gostei, e de pessoas falsas e inescrupulosas, capazes de qualquer tipo de baixaria para subir na vida. Não sou assim; esse tipo de gente me faz mal! — Não suporto gente que vira amante de chefe alheio para tomar o emprego de alguém; não tolero pessoa que coloca grampos, plástico e sabe-se lá mais o quê na comida de outra pessoa só porque essa pessoa tem um salário um pouquinho melhor!
Há algum tempo, uma revista vinha me sondando, querendo que eu fosse trabalhar lá, que eu voltasse para esse mercado. E eu quase voltei mesmo. Me ofereceram um salário bom (que, agora, me parece mais uma armadilha do que, de fato, um salário justo). Caso aceitasse a proposta que me fizeram, eu trabalharia em frente à minha antiga redação e veria a cambada de lá fazendo cara feia diariamente ao fato de eu estar na concorrência que eles tanto detestavam (na época, só para se ter uma idéia, eu sequer podia falar ‘oi’ para o pessoal dessa revista, porque meus chefes não queriam nenhum tipo de contato com ‘aquele povo’). Seria realmente divertido ver a minha ex-editora dando piti por causa dessa contratação. MUITO divertido mesmo!
Mas, mais do que isso, eu também teria que, mesmo que indiretamente, conviver com o fantasma da Zé Carioca que, por qualquer motivo e a qualquer hora, poderia cismar novamente comigo e fazer minha vida virar um inferno. E, sério, não vale a pena. De jeito nenhum! Nem que o salário fosse três, quatro, dez vezes maior do que o oferecido! Tive a minha cota de sofrimento com essa infeliz e não quero passar por tudo isso de novo. Já estou bastante traumatizada com essa experiência. Até recorrer a um psicólogo eu precisei, naquela época. (Fora que, além dela, eu ainda teria que ver a toda hora aquele ser nojento sem pescoço! Ah, não dá!).
Enfim… Recusei a proposta (e, possivelmente, fechei a porta para possíveis oportunidades de freela – um pequeno preço a se pagar…). Optei por continuar onde estou, que é um lugar que realmente gosto, com pessoas legais, ambiente bom, desenvolvendo um trabalho que eu curto. O salário? Bem, continua fraquinho – mesmo com o aumento que me deram. Mas, mesmo assim, estou feliz com tudo isso.
Não tem nada nessa vida que pague a minha paz, meu bem-estar e a minha saúde!




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