Há tempos, ela sabia que não fazia mais parte da vida dele. Em outras épocas, quando ainda eram adolescentes, tudo era motivo para estarem juntos – cinema, parques de diversão, papos até de madrugada. Eles falavam sobre tudo, de música até assuntos mais sérios… Agora, passados alguns anos, ambos na casa dos 20 e poucos, não são mais do que meros conhecidos – ligados apenas pelo sangue.
Apesar de hoje em dia raramente se encontrarem e de não terem mais nada em comum, ela se entristece com esse afastamento. Tinha esperança (seria exatamente esse sentimento?) de que algum dia voltariam a ser amigos. Talvez não como antes – afinal, atualmente existe uma imensa lacuna de tempo, espaço e vivência entre ambos -, mas, ainda assim, amigos.
Porém, um dia desses, passeando por um site, ela descobriu que a separação não era apenas uma questão de falta de tempo (por conta do trabalho de ambos) e sim falta de interesse e consideração (dele). Descobriu que fora ‘bloqueada’, barrada da vida dessa pessoa de quem ela tanto gostava. Ele a afastara definitivamente – e matara, de uma só vez, todo o carinho e simpatia que ela nutria por ele.
Até então, ela acreditava que a distância havia se formado por causa do trabalho, das amizades e, especialmente, por influência da mãe dele, uma mulher falsa e desagradável – e, felizmente, sem nenhum laço sangüíneo com ela. Agora, tem certeza de tudo isso e, principalmente, de que ele é uma cópia de sua mãe, além de extremamente prepotente, arrogante e indigno de seu respeito, amizade e carinho.
Definitivamente, ela não está feliz com essa situação. “Gostaria que as coisas fossem como antes…” Mas, por outro lado, está aliviada com a descoberta. A partir de agora, pelo menos, sabe o que acontece e pode se poupar de certas situações vexatórias e desnecessárias que, no futuro, poderiam lher causar mais tristezas e mágoas.
“Se é assim que ele quer, que assim seja”, pensou ela ao descobrir o que se passava. “Não era bem isso o que eu esperava, mas o que posso fazer? Ele deixou muito claro que não ’sirvo’ para ele. Já servi, eu sei. Nos demos bem, rimos muito, conversamos mais ainda. Mas tudo isso ficou no passado”, dizia para si mesma. “Ele que fique com a vidinha dele e eu com a minha, porque, agora, quem não quer nada de ligação sou”, disse a si mesma, decidida.
E assim tem sido desde então…



