Por que será que as pessoas têm vergonha de ser inocentes, meigas, boazinhas? Será que essas qualidades estão fora de moda? São sinônimo de pessoas tolas? De verdade, não entendo que mal há em ser assim. Confesso que eu até gostaria de ser mais meiguinha e inocente… Assim, provavelmente eu veria as coisas e pessoas de uma maneira mais leve, menos desconfiada e preocupada.
Hoje (15/5), durante o almoço, eu e a Lã conversamos com uma colega de trabalho. Quer dizer, foi mais um sermão ‘a la irmãs mais velhas‘ do que uma conversa. Essa menina, que tem 20 anos e é a personificação da ingenuidade, vira e mexe, faz uns comentários que nos deixa preocupadas – com ela (sobre questões ginecológicas, relações sexuais precipitadas com o novo namorado, pequenas infecções, esquecimento de camisinha e pílula, e por aí vai…).
Nada contra falar sobre esses temas, mas no ambiente de trabalho não pega muito bem. Ainda mais porque em um escritório sempre rola uma fofoquinha aqui, outra ali, e entre uma fofoca e outra, a história é distorcida e, por tabela, a imagem da pessoa que soltou a “pérola” vai sendo deturpada. Ou, então, alguém de fora da empresa – um visitante, um moto/office-boy, o zelador… – pode ouvir. E isso era uma das coisas que nos preocupava. Além, é claro, da questão dos cuidados básicos (camisinha e pílula, peloamordedeus!!!!) com a saúde.
Não foi uma conversa muito legal não. A gente até tentou levar numa boa, mais pro lado da brincadeira, mas não foi muito agradável não. Preferia nunca ter falado sobre isso, pq sei que ela ficou constrangida e chateada – comigo, com a Lã, com os meninos (que ouviram os comentários ‘pré-conversa’ e comentaram comigo). No lugar dela, eu teria sentido a mesma coisa. Entendo a situação dela. Mas foi realmente necessário.
Como um amigo nosso (Rafa) disse, nós não precisávamos ter feito isso, mas fizemos por amizade, por zelo. Nós duas poderíamos ter deixado o barco correr e esperar a menina quebrar a cara, afinal, não é problema nosso. Mas não queremos isso. Ela tem algumas coisinhas que não nos agradam muito – por exemplo, ela é meio atrapalhadinha em alguns aspectos… -, mas é uma boa menina, boazinha, gentil, simpática, prestativa, que sempre tenta agradar todo mundo. Para quê deixá-la se ferrar, né?
Não sei se agimos certo. Talvez nós duas tenhamos nos metido em terreno proibido, mas não foi por mal. Nossa intenção foi a melhor possível! Só queremos que ela se preserve mais – tanto em relação aos comentários que faz, quanto em relação ao sexo e às pessoas com quem ela comenta certas coisas. Queremos apenas que ela não se machuque nem fique com uma fama negativa, de menina fácil.
Bom, de qualquer modo, a coisa está feita. Espero, sinceramente, que ela tenha entendido a nossa intenção e que, se não totalmente, pelo menos parcialmente ela tenha apreendido o que nós duas dissemos. Para o bem dela.




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