Tempos difíceis. Bem difíceis.

Os tempos estão difíceis. Bem difíceis.

Trabalho.

Família.

Relacionamentos.

Política.

Sociedade.

Mundo.

Viver tem sido perigoso para nossa sanidade.

Todo dia surge um obstáculo no nosso caminho e, por excesso de coragem ou por falta de opção, lá vamos nós superar dar a cara a tapa e enfrentar o “maledeto” problema. Mas essas batalhas diárias têm pesado demais em alguns momentos e, gradualmente, têm matado nossa humanidade.

As pessoas têm perdido a linha na hora de se expressar, têm sido duras demais com os outros (muitas vezes sem motivo), têm batido de frente sem dó. Eu faço isso, você faz isso, amigos meus fazem isso, familiares, colegas de trabalho, conhecidos. Todo mundo tem errado a mão e exagerado nas críticas, na maledicência, na comunicação violenta, na falta de respeito, no deboche, na insensibilidade, no egoísmo…

O cansaço físico e mental tem sido tamanho que, por vezes, não conseguimos dosar nossas palavras, não conseguimos “sentir” os acontecimentos ou “viver” efetivamente o momento. Muitas vezes, por egoísmo ou por falta de noção do quanto afetamos aqueles ao nosso redor, somos ríspidos em nossas colocações, rimos na hora errada, nos calamos quando podemos dizer algo, nos isentamos de sermos ou de agirmos da melhor maneira por acharmos que aquilo não nos compete, ou agimos e falamos demais por pensarmos apenas no nosso umbigo. Pecamos por pensarmos demais em nós mesmos, no nosso cansaço, nas nossas expectativas e frustrações, nas nossas necessidades… e passamos por cima do outro que, inúmeras vezes, esteve ao nosso lado, disposto a nos ajudar, disposto a pensar em nós.

Não é errado cada um pensar em si próprio, mas não dá para viver em sociedade se pensarmos exclusivamente em nós. Me dói pensar que perdemos – cada dia mais – a nossa humanidade.

Os tempos estão difíceis. Bem difíceis.

Experiências

De vez em quando surgem oportunidades na vida que simplesmente não podem ser perdidas. Há 9 anos fui convidada a participar de um treinamento de inteligência emocional. “Será muito bom para você” foi o que me disseram quando me ofereceram a oportunidade. Não pensei duas vezes antes de me jogar de cabeça. Foram pouco mais de dois dias em um hotel em Itatiba, mas foi muito intenso. Falei sobre o passado, o presente e o futuro. Mágoas, inseguranças, tristezas, alegrias, conquistas, sonhos. Sorri, chorei, fui tirada da zona de conforto diversas vezes, dormi pouco, me esforcei para dar o meu melhor, decorei um texto enorme em cerca de 3 horas para recitá-lo na frente de várias pessoas, fiz terapia do grito (acho que foi a coisa mais libertadora que eu já fiz na vida). Saí de lá renovada, com a mente mais clara e a alma mais leve. Em seguida, pedi demissão de um trabalho que eu gostava, mas em um lugar que eu odiava, com pessoas baixas… Que alívio. Não teria feito isso sem ajuda do treinamento e de tudo o que falamos naqueles dias.

Esta semana ganhei uma nova oportunidade de “chacoalhar” meu mundo, renovar algumas crenças, abandonar aquelas que me limitavam e me reconectar comigo mesma e com os demais. Foram três dias de aprendizados e para relembrar coisas que o dia a dia acabou encobrindo com seus acontecimentos, bons ou não. Reaprendi que eu, e somente eu, é quem posso mudar minha vida e me fazer feliz, não o outro, seja ele quem for. Aprendi, mesmo que muitas vezes superficialmente, a compreender que tudo o que sou é reflexo do que fiz comigo; que sou a média das 5 pessoas que mais convivem comigo; que pensamento positivo ajuda a mudar, se não o mundo, ao menos o nosso mundo, a nossa percepção do que existe ao nosso redor e na nossa vida. Tive a oportunidade de falar sobre medos, limitações, frustrações, família, trabalho, quem sou, qual é o meu ikigai e por aí vai. Dessa vez não saí pensando de me demitir, como da outra vez, porque acredito que o que faço seja o meu ikigai, mas saí disposta a me modificar, a ser melhor filha/amiga/colega de trabalho, a ser um ser humano mais cuidadoso com meu corpo e minha alma. Decidi me amar, me respeitar, me amar.

Experiências

De vez em quando surgem oportunidades na vida que simplesmente não podem ser perdidas. Há 9 anos fui convidada a participar de um treinamento de inteligência emocional. “Será muito bom para você” foi o que me disseram quando me ofereceram a oportunidade. Não pensei duas vezes antes de me jogar de cabeça. Foram pouco mais de dois dias em um hotel em Itatiba, mas foi muito intenso. Falei sobre o passado, o presente e o futuro. Mágoas, inseguranças, tristezas, alegrias, conquistas, sonhos. Sorri, chorei, fui tirada da zona de conforto diversas vezes, dormi pouco, me esforcei para dar o meu melhor, decorei um texto enorme em cerca de 3 horas para recitá-lo na frente de várias pessoas, fiz terapia do grito (acho que foi a coisa mais libertadora que eu já fiz na vida). Saí de lá renovada, com a mente mais clara e a alma mais leve. Em seguida, pedi demissão de um trabalho que eu gostava, mas em um lugar que eu odiava, com pessoas baixas… Que alívio. Não teria feito isso sem ajuda do treinamento e de tudo o que falamos naquelea dias.

Esta semana ganhei uma nova oportunidade de “chacoalhar” meu mundo, renovar algumas crenças, abandonar aquelas que me limitavam e me reconectar comigo mesma e com os demais. Foram três dias de aprendizados e para relembrar coisas que o dia a dia acabou encobrindo com seus acontecimentos, bons ou não. Reaprendi que eu, e somente eu, é quem posso mudar minha vida e me fazer feliz, não o outro, seja ele quem for. Aprendi, mesmo que muitas vezes superficialmente, a compreender que tudo o que sou é reflexo do que fiz comigo; que sou a média das 5 pessoas que mais convivem comigo; que pensamento positivo ajuda a mudar, se não o mundo, ao menos o nosso mundo, a nossa percepção do que existe ao nosso redor e na nossa vida. Tive a oportunidade de falar sobre medos, limitações, frustrações, família, trabalho, quem sou, qual é o meu ikigai e por aí vai. Dessa vez não saí pensando de me demitir, como da outra vez, porque acredito que o que faço seja o meu ikigai, mas saí disposta a me modificar, a ser melhor filha/amiga/colega de trabalho, a ser um ser humano mais cuidadoso com meu corpo e minha alma. Decidi me amar, me respeitar, me amar.

Bailarina que não sabe dançar

Às vezes, parece que a vida está disposta a testar meus limites, minha sanidade, minha paciência. As coisas simplesmente começam a dar errado; muitos planos, projetos e trabalhos vão desacelerando, perdendo o ritmo, até pararem de vez, numa freada brusca, deixando uma série de sonhos e expectativas frustradas pelo caminho. Sem explicação, sem mais nem menos; apenas acontece – ou deixa de acontecer, no caso. Como uma bailarina que passa meses ensaiando uma bela coreografia, elaborada e rebuscada, mas que nunca tem a oportunidade de apresentar sua dança para o mundo. Apenas sonho e frustração.E aí, novamente, eu consigo entrar em ação, me movimentando com ansiedade e desespero, disposta a dançar conforme a música para tentar recuperar meu espaço no palco da vida; sempre tentando acertar o passo e recuperar o ritmo, sem perder o fôlego e a gentileza dos movimentos – nem sempre com sucesso.Mas, de vez em quando, me faltam ideias para criar novos passos, novas coreografias. Às vezes, me faltam forças nas pernas e coordenação para tornar a dançar e rodopiar e saltar… Essa tentativa constante de me reerguer e recomeçar é terrível.Hoje, estou sinto girando, girando, girando… e caindo exausta, angustiada, com tontura, sem conseguir realizar aquele tão almejado passo de dança ou projeto profissional ou projeto de vida. Não sei a quem recorrer (minhas tentativas, até agora, não deram em nada), não sei quando pedir ajuda, como pedir…Talvez minha cabeça esteja cansada. Talvez meu corpo e minha mente não estejam em sintonia, causando desequilíbrio em outras áreas da vida. Talvez o mundo esteja conspirando contra mim e minhas vontades e necessidades. Não sei. Não sei mesmo. Pode ser tudo isso ou pode não ser nada. O fato é que, independentemente de quem carregue a culpa por essas falhas e angústias, o baile seguirá, eu dançando ou não conforme a música. Mas estou cansada de dançar ritmos que não me agradam só para poder me manter em movimento. Será que, apesar de todo meu esforço, não passo de uma bailarina que não sabe dançaram?

Tempos difíceis

Estamos apenas na metade do terceiro mês do ano e a sensação é de exaustão emocional. Que período difícil estamos vivendo. Quantos absurdos, quantas tristezas, quantas perdas. Perdas de vida, de fé na humanidade. Empresas mineradoras que sabiam o risco existente em sua instalação e, mesmo assim, preferiu o lucro às vidas envolvidas. Clube desportivo que, mesmo tendo sido multado diversas vezes em razão das condições precárias de seu alojamento e da proibição de uso deste, optou por confinar jovens naquele local, ignorando os riscos existentes. Deslizamentos de terras e enchentes de proporções assustadoras, comprovando o descaso dos órgãos públicos com as cidades e as vidas e, também, descaso das pessoas que não se importam em jogar lixo nas ruas, nos rios. Ataques em escola e mesquitas apenas pelo desejo de matar e de morrer como mártir, de mostrar para o mundo que se é capaz de realizar grandes atos – em nome de Deus, em nome de uma política higienista absurda, em nome do próprio ego. Governantes extremistas envolvidos como milicianos, assassinos, fraudadores, mas que arrotam santidade e vivem apontando o dedo para a cara dos adversários, vistos por eles como inimigos, mas sem se dar conta das próprias falhas – na verdade, ignorando convenientemente as próprias falhas. Pessoas que perderam a capacidade de raciocinar, de discernir entre o certo e o errado, o bom e o mau, o que pode e o que não pode ser dito ou feito; pessoas cegas pelo ódio e que defendem aqueles que pregam ainda mais ódio. Pessoas que dizem querer a paz e a segurança, mas que brigam pelo armamento da população, que brigam em nome de Deus, que brigam para provar que são as donas da razão. Pessoas incapazes de entender a gravidade de termos como homofobia, xenofobia, misoginia, e que, por maldade ou ignorância, reduzem lutas relevantes e necessárias à mimimis. Que tempos difíceis. Que triste fim para a humanidade.

Vórtice

E, de repente, você sente que o mundo está te puxando para baixo. Você tenta reagir, se debate, puxa o fôlego e, enfim, consegue subir novamente, o ar voltando aos pulmões. Minutos de alívio, de calmaria, respiração tentando normalizar enquanto o coração ainda está acelerado, o corpo tenso. E aí você se vê novamente sendo sugada para dentro do vórtice, rodando, rodando, rodando, e descendo cada vez mais. O desespero toma conta e você já não consegue mais pensar direito, não tem ideia de como se proteger, de como tentar se salvar de tudo aquilo. Enquanto gira dentro daquela espiral atordoante, sentindo-se sufocada, é atingida por toda sorte de problemas, desilusões, angústias, frustrações, crises, pânico, depressão, irritação, mágoas. A sensação é de afogamento. Em lágrimas, dores, insatisfação. Você precisa reagir e se defender, mas é massacrada por isso. Você tenta, mesmo estando em um pântano, ajudar aos demais, mas é humilhada e lançada à própria sorte, sem ter a ajuda que se prestou a oferecer. E continua rondando, rodando, se debatendo, cheia de máculas, escoriações e dores, até que, exausta e profundamente ferida, desiste de lutar e se deixa levar pelo turbilhão, esperando, assim, depois da tempestade, finalmente encontrar a paz.

O Oceano no Fim do Caminho – Neil Gaiman

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Um homem de meia-idade retorna à casa onde passou a infância, em Sussex, na Inglaterra, para um funeral. Sua antiga casa não existe mais, no entanto, ele é atraído para a fazenda no fim da estrada, onde, aos sete anos, conheceu uma garota especial chamada Lettie Hempstock, que morava com a mãe e a avó. Ele não pensava em Lettie há décadas, mas, ao se sentar à beira do lago (que a menina chamava de oceano), o passado há tempos esquecido voltou à tona. E é um passado estranho e assustador demais para ter sido real…

Quarenta anos antes, um homem cometeu suicídio dentro de um carro roubado (o carro pertencia ao pai do protagonista) no fim da estrada que ia até a fazenda das Hempstock. Sua morte foi o estopim para uma série de acontecimentos com consequências inimagináveis. A “escuridão” foi despertada, atingindo diretamente o menino, e Lettie – com sua magia, amizade e a sabedoria digna de alguém com muito mais de onze anos – prometeu protegê-lo, não importava o que acontecesse.

Durante a leitura, a história me pareceu uma metáfora para os medos e as inseguranças que rondam a vida de uma criança – e, por que não, um adulto? – e como ela se enxerga diante desse cenário. Ela se vê sozinha? Tem alguém com quem contar? Os pais realmente a protegerão em qualquer circunstância? A fábula, cativante e ao mesmo tempo sombria, é um convite para se repensar medos, angústias, incertezas, vida e morte, amor, família…

  • “Esse é o problema com as coisas vivas. Não duram muito. Gatinhos num dia, gatos velhos no outro. E depois ficam só as lembranças. E as lembranças desvanecem e se confundem, viram borrões…”
  • “Os adultos também não se parecem com adultos por dentro. Por fora, são grandes e desatenciosos e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro eles se parecem com o que sempre foram.  Com o que eram quando tinham a sua idade. A verdade é que não existem adultos. Nenhum, no mundo inteirinho.”
  • “Ninguém realmente se parece por fora com o que é de fato por dentro.”

É uma história sobre magia, o poder das histórias e como enfrentar a escuridão dentro de cada um de nós. É sobre medo, amor, morte e famílias. Mas, fundamentalmente, espero que, na essência, seja um romance sobre sobrevivência.

Neil Gaiman

Título: O Oceano no Fim do Caminho
Autor: Neil Gaiman
Ano de lançamento: 2013
Nº de páginas: 208
Editora: Intrínseca
www.intrinseca.com.br/neilgaiman/ooceanonofimdocaminho/