Home office

Gosto de trabalhar em casa (ou em qualquer lugar que não seja presa dentro de um escritório); tem lá suas vantagens – apesar de também ter algumas desvantagens. Como tudo na vida.

pros-and-cons-copiaGosto de fazer meu próprio horário, de trabalhar por mais horas num dia e menos noutro – essa flexibilidade é boa, mas não pode se tornar um hábito para evitar “bagunças”. Não gosto de ficar tão isolada, sem falar com as pessoas. Gosto de não precisar levantar tão cedo e precisar encarar um metrô ou um ônibus lotado para chegar ao local de trabalho. Não gosto de não ver o que acontece lá fora, nas ruas, no mundo. Gosto de não precisar me preocupar com qual roupa eu irei trabalhar e se já a usei nos últimos tempos. Não gosto de não ter motivos para me arrumar – um pijama ou uma legging podem ser o suficiente para um dia de expediente (embora não seja o ideal), o cabelo penteado pode ser opcional dependendo do dia e do humor… Gosto da possibilidade de ter mais qualidade de vida, sem o estresse do transporte público, do risco de assalto, do almoço por vezes corrido. Não gosto da ideia de não ter direito a férias, a 13º salário e outros benefícios. Gosto da possibilidade de trabalhar em silêncio, sem interrupções, quando estou redigindo uma matéria ou revisando um texto. Não gosto de ser interrompida por conta de assuntos domésticos.

Enfim, existem o lado bom e o lado ruim dessa história de trabalho remoto. Mas, apesar das vantagens, voltar à estabilidade – que nem sempre é muito estável – do mundo corporativo, da convivência humana diária, dos relacionamentos profissionais e pessoais seria bom. Muito bom…

Descaso com a saúde em São Paulo

Paula Craveiro

Como um transplantado, dependente de medicamentos para evitar a rejeição do órgão recebido, pode explicar para o seu organismo que, excepcionalmente, ele não receberá o remédio necessário naquela semana? “Aguenta aí só uns cinco dias. Depois eu volto a te dar o medicamento. O que são 5, 10, 15 dias na vida de alguém, não é, rim?

O corpo não tem essa compreensão; os órgãos não podem esperar pacientemente enquanto a logística do SUS/Ministério da Saúde se reorganiza e deixa as farmácias dos postos de alto custo sem o estoque necessário para atender às necessidades dos pacientes cadastrados para o recebimento dos medicamentos.

Para os receptores e para sua família, esse é o tipo de situação que não tem o menor cabimento! Depois de enfrentar anos de tratamento, hemodiálise… e, enfim, conseguir um órgão, não tem nada no mundo que justifique a perda dele por causa de erro…

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Quotes about me

Fazia muito tempo que eu não relia as quotes que eu havia postado aqui. De algum modo, eu sentia como se elas não dissessem mais nada – ou, ao menos, não tanto – sobre quem eu sou agora, anos depois. Mas a maioria delas continua fazendo total sentido sobre a minha vida, sobre o meu momento, sobre mim.

“Ninguém espera que puxem abruptamente o seu tapete. Acontecimentos capazes de mudar a vida não costumam se fazer anunciar. Embora o instinto e a intuição possam ajudar dando alguns sinais, pouco podem fazer para preparar você para o sentimento de desarraigamento que se segue quando o destino vira seu mundo de pernas para o ar. Raiva, confusão, tristeza e frustração mesclam-se dentro de você num turbilhão. Leva anos para que a poeira emocional assente, enquanto você se empenha ao máximo apenas para conseguir ver através da tempestade”. [Slash]

“Vivi altos e baixos extremos e enfrentei todos até o fim. Mas quando estão tão próximos que parecem se entrelaçar, se tornam algo alienante. É algo mais também; de repente, o que antes fora familiar fica estranho e nada se mantém estável”. [Slash]

“Eu não vou me desculpar pelo que sou.
Eu não vou me desculpar pelo que necessito.
Eu não vou me desculpar pelo que quero”.
[Frank Mackey (Tom Cruise) em Magnólia]

“(…) Essa maldita vida. / É tão difícil. / Ah Deus! / A vida não é curta, é longa. (…)
[trecho de Magnólia – ? para Phil]

“Estou cansada, cada vez mais incompreendida e insatisfeita comigo, com a vida e com os outros. Diz-me, porque não nasci igual aos outros, sem dúvidas, sem desejos de impossível? E é isso que me traz sempre desvairada, incompatível com a vida que toda a gente vive…” [Florbela Espanca]

“Quando eu olho para trás eu vejo tanto esforço, tanta dedicação, tanto trabalho. Para quê? E a minha vida? A minha vida eu guardei para depois. Mas eu nunca pensei que poderia não haver um depois.” [E Se Fosse Verdade/Just Like Heaven, 2005]

 “… entrei num ritmo frenético de pensamentos e, de repente, dá uma caída e você entra num lugar estranho dentro de você mesma…”

 “Eu quero deixar uma marca. Mas (…) as marcas que os seres humanos deixam são, com frequência, cicatrizes.” [A Culpa é das Estrelas]

4 anos de vida!

Há quatro anos, eu estava com meus pais e minha madrinha no Hospital do Rim, aqui em São Paulo, contando os segundos – sem sentir medo; eu tinha a estranha certeza de que tudo correria bem – para que meu pai finalmente conseguisse um novo rim. Dia 28 de julho de 2012 foi o dia em que ele voltou a viver.

Nesse mesmo dia, depois de anos de tormento e de revolta, eu decidi que não questionaria mais as decisões de Deus, porque, apesar da demora para meu pai conseguir um rim e do tempo de hemodiálise que ele precisou enfrentar (e tudo o que aconteceu nesse período), Ele fez com que o transplante desse certo e o rim começasse a funcionar praticamente no mesmo instante. Eu sempre brinco que nunca imaginei que eu pudesse ficar tão feliz com uma “bolsinha” coletora de urina como fiquei naquele dia…

Não existem, e jamais existirão, palavras suficientes para agradecer por esse milagre que Deus fez na vida do meu pai nem o que a família do doador (um rapaz do interior, pelo que eu soube) fez por ele e possivelmente por outras pessoas. Minha gratidão será eterna.

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O incômodo da incerteza

Se tem uma coisa que me incomoda profundamente é a sensação de incerteza. Incerteza sobre a vida, sobre o trabalho, sobre a família, sobre a saúde, sobre as finanças, sobre o futuro.

Como boa virginiana que sou, gosto das coisas claras, gosto de “cartas na mesa”, com o máximo de detalhes e informações a respeito, o mais organizadas e estáveis possíveis.

Não sou dada a deixar nada por conta do “acaso” – não acho que ele faça um bom trabalho improvisando as situações. Não gosto de dar tiros no escuro, pois sei, por experiência de vida, que a chance de eu acertar ao alvo é mínima – nula, na verdade, já que sou péssima de pontaria. E não gosto de depender do “quem sabe”, do “talvez”, do “pode ser que” e, menos ainda, do tal do futuro. É incerto, é apavorante e pode muito bem simplesmente não acontecer.

Gosto de ter certeza ou, pelo menos, de algo o mais próximo possível disso; gosto de estabilidade, de garantias, de “pé no chão”. Sei muito bem me virar (quase sempre, pelo menos) quando o infame acaso resolve agir e sou obrigada a contornar a situação, mas odeio quando tenho que fazer isso, quando tenho que recomeçar, quando tenho que me virar do avesso para corrigir algo que eu não errei, que eu não mudei, que eu não tive poder para manter como estava. Me angustia a sensação de ter que recomeçar do zero quando eu sei que já estava bem mais avançada e que tinha tudo para me manter indo em frente, mas o acaso, ah, o acaso resolveu mudar as regras do jogo e me derrubou no meio do caminho.

Tenho me sentindo muito incomodada com a incerteza sobre a vida, sobre o trabalho, sobre a família, sobre a saúde, sobre as finanças, sobre o futuro.

Queria poder escrever um texto enorme…

Queria poder escrever um texto enorme, contando tudo o que se passa pela minha cabeça. Falar sobre trabalho, dinheiro, amor, amizades, conquistas, frustrações… especialmente sobre tudo o que está acontecendo neste exato momento comigo. Falar sobre perdas e ganhos, falar sobre a dificuldade de lidar com o ser humano, falar sobre lutas e derrotas, sobre desejos e expectativas, sobre frivolidades, sobre medos e inseguranças, sobre sonhos e desilusões, sobre precisar jogar a toalha em algumas situações, sobre oportunidades que escorrem pelos dedos, sobre algumas injustiças da vida, sobre depressão, sobre perder o tesão por algumas coisas…

Queria poder escrever um texto enorme, que me ajudasse a exorcizar uma série de coisas que tem rondando os meus pensamentos ultimamente. Me livrar de algumas ideias que me fazem mal, de sensações que me deprimem, de situações que não me ajudam a seguir adiante e ter uma vida diferente.

Queria poder escrever um texto enorme, no qual eu conseguisse explicar, com todos os detalhes possíveis, tudo aquilo que eu sonho e, principalmente, tudo aquilo que me aflige. Pessoas que vieram e já se foram de minha vida; pessoas que vieram e ficaram; pessoas que nunca vieram, mas que, sabe-se lá como, ficaram; situações que me amarraram a algumas lembranças e que, por algum motivo, me impedem de seguir em frente em alguns aspectos; marcas que ficaram sem que eu sequer me lembre como elas foram deixadas em mim; amigos que nem sempre foram/são tão meus amigos; colegas que são mais amigos do que eu penso…

Queria poder escrever um texto enorme, contando cada uma das ideias – loucas ou geniais – que se passam pela minha cabeça; cada sentimento bom ou cada dor sentida; cada dúvida ou cada certeza que eu tenho. Mas não dá. Porque, por mais que eu viva em função das palavras, por mais que eu dependa delas para obter o meu sustento, por mais que elas me completem e me façam companhia, elas também já me colocaram em situações delicadas e, quando em mãos “maldosas”, ajudaram a me ferir, ao mesmo tempo em que tinham me ajudado a cicatrizar algumas feridas.

Queria poder escrever um texto enorme e falar sobre tudo isso, mas me falta coragem para expor tudo o que se passa por aqui dentro e, mais ainda, me faltam palavras para explicar tudo isso.

Às vezes…

Às vezes, tudo o que uma pessoa precisa é de alguém que lhe dê atenção, que lhe estenda a mão e ofereça ajuda – para qualquer coisa: para ouvir, para aconselhar, para abraçar, para ficar ao lado dela em silêncio ou mesmo para dar um puxão de orelha ao perceber que ela está fazendo bobagem. Mas ninguém oferece essa ajuda…

E a pessoa também não pede. Não por orgulho, por se achar capaz de resolver a situação ou por insegurança, por medo de ser considerada fraca. Nada disso. Não pede por não saber o que pedir, como pedir, a quem pedir. Porque, às vezes, a situação não é tão clara mesmo para quem está passando por ela. Os porquês de algumas coisas simplesmente não existem – pelo menos, não às claras. Porque, às vezes, as coisas são tão obscuras, tão estranhas, tão fora do controle da pessoa, que ela não tem ideia de como e por onde começar a colocar ordem na casa. E quem está de fora não tem a menor ideia do que está acontecendo e, por isso, não oferece ajuda.

E o ciclo segue…