Doadores de vidas

EU PRECISO DE VOCÊ AGORA

“Esta frase está no refrão de uma canção antiga dos Titãs. Música pop. Anos 80. Então nada como um apelo pop pra falar sobre doação.

De tudo. Do que temos e não usamos mais. De tempo. De trabalho. De sangue, órgãos e tecidos. De vida enfim.

Há cerca de um ano, tive notícia da doença grave de uma pequena amiga de 7 anos, filha de uma mulher que admiro muito.

Naquela época ela começava a encarar um grande e desgastante desafio na área profissional e a nova condição de saúde de sua caçula se transformava então na maior das provações. Eu me lembro de vê-la expor-se como nunca nos grandes meios de comunicação porque queria tornar sua luta particular em algo maior para todos.

Aquela mãe conseguiu mobilizar gente que transbordou de um círculo de amizade. Falou-se um pouco mais sobre a campanha de doação de sangue e medula óssea.

Esse tipo de acontecimento sempre me sensibilizou e agora que sou mãe, ainda mais. Acabo pensando de um outro jeito sobre o tempo.

Minha idéia de futuro agora inclui mais gente. Meu plano de vida tem que ir além da próxima semana.

Eu via e ouvia tudo com a intenção de multiplicar isso de alguma forma.

Pensava que talvez já fosse suficiente eu ser doadora de órgãos e tecidos na carteira de motorista, ser doadora de sangue cadastrada num banco local, ter publicado uma mensagem sobre o assunto numa página na internet. Só que nunca é suficiente porque as necessidades são sempre maiores do que podemos presumir.

É meio clichê escrever esse tipo de frase, mas por experiência própria, sei o que é ter alguém muito doente em casa precisando de muito mais do que carinho, compaixão ou tratamento. Às vezes precisamos é de milagres. Não desses cinematográficos ou daqueles realizados à base de ferro e fogo psicológicos. Não estou falando de religião e sim de pequenos milagres cotidianos. Precisamos de mais sinais positivos, mais adesões às campanhas pra transformar a falta de alternativas em tentativas, em expectativas!

Escrevendo sobre isso, eu automaticamente me forço a renovar minhas próprias práticas sobre o assunto. Em algum momento eu, você ou alguém que conhecemos pode estar numa lista de espera vital. Não deveríamos esperar isso acontecer pra nos mobilizar.

Soube recentemente que a porcentagem de recusa de doação de órgãos pelas famílias em alguns estados do Brasil chega a 50%. Então se você é doador consciente em vida, deixe isto claro a todos de sua família porque só eles podem autorizar os procedimentos legais em seu nome.

Aproveitei este espaço pra promover a idéia de que a gente precisa de mais doadores de vidas. Se todo mundo der um passinho adiante e passar a se enxergar como fonte de vida, nossa existência como seres humanos pensantes e dignos estará mais justificada.”

Fernanda Takai (Jornal Estado de Minas)

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