(Falta de) cultura e bom senso

Segundo o dito popular, “brasileiro é um povo sem memória”. Isso é um fato inegável. Mas é preciso completar que, mais do que problema de memória, os brasileiros também sofrem de falta de cultura e bom senso. E, quando falo em cultura, não estou fazendo referência apenas à questão do ensino – que também deixa muito a desejar no Brasil. Falo de cultura num sentido mais amplo.

Diariamente somos bombardeados com “pérolas” como o funk do Créu, Big Brother, celebridades instantâneas com bundas e peitos à mostra, crimes que viram circo e criminosos que adquirem status de estrelas de Hollywood por conta da exposição excessiva… e ninguém reclama! Como pode?! Praticamente todo mundo fica quieto, consumindo uma série de bobagens que são “jogadas” dentro de nossas casas, sem sequer parar para pensar a respeito do assunto, sem refletir se tal coisa é verdadeiramente boa, sem analisar quais valores aquilo está agregando à nossa família e sociedade. Enfim, o povo vai aceitando, aceitando, e se tornando cada vez mais dependente e incapaz de raciocinar.

Já pararam para pensar que esses “produtos culturais” nada mais são do que uma maneira de (sutilmente) arrancar dinheiro da população, além mantê-la apartada do mundo real e de assuntos que são de nosso próprio interesse? É mais ou menos como a história do pão e circo da antiga Roma – comida e diversão ao povo, em troca de silêncio e alienação. Mídia, governo, empresas criam “modelos”, trabalham pesado na divulgação/exposição dos mesmos, até que eles passem a ser copiados e idolatrados por boa parte da população; enquanto isso, nossa cidade, nosso país, nossas vidas vão sendo deixadas de lado por nós e passam a ser regidas conforme os interesses mercadológicos. (É claro que, felizmente, não são todas as pessoas que agem assim. Há aqueles que consomem esse tipo de produto cultural tendo plena consciência do que aquilo representa e sabendo distinguir o que é positivo ou não, o que é cultura e o que é mero entretenimento, o que merece ser copiado ou não).

Cansei de ouvir que a culpa dessa “burrice” é do governo, que não oferece ensino e saúde de qualidade à população, que não gera empregos, que não dá segurança, blá blá blá. Até concordo que o governo tem sua parcela de culpa sim. Mas precisamos deixar nossa hipocrisia e cara de pau de lado e assumir que os principais culpados pela falta de cultura e de moralidade, pelo incentivo à produção e veiculação de músicas e filmes de baixa qualidade, pela banalização do sexo, pelo incentivo à invasão de privacidade, pelos governantes meia-boca que estão aí ‘brincando’ de cuidar de nossos interesses e gastando nosso dinheiro, entre tantas outras falhas, somos nós mesmos. Fomos nós que permitimos que a situação chegasse a esse nível. Foi culpa da nossa irresponsabilidade, da nossa falta de bom senso e de comprometimento com nosso povo.

Se não começarmos a raciocinar sobre o lixo que nos oferecem 24 horas por dia e a falar o que queremos ou não, como as coisas serão mudadas? Se não abrirmos nossa boca para nos manifestarmos contrários a determinado produto, serviço, música, político, como os outros saberão que estamos insatisfeitos? Somos nós quem devemos bater o pé e falar não para um monte de coisas que não estão certas. A palavra final deve ser nossa!

É óbvio que não dá para eliminar da Terra tudo o que não presta de uma hora para a outra. Até porque, esse tipo de “limpeza” demanda investimentos em diversas áreas, e tudo isso leva tempo para começar a surtir efeito. Mas, algum dia, isso precisará ser feito. E porque não começar agora?

Se o povo brasileiro é realmente sem memória e sem cultura, os que as possuem têm a obrigação moral e, principalmente, social de tentar reverter esse quadro. Se é fato conhecido que boa parte da população não tem capacidade de discernimento, não sabe diferenciar cultura de entretenimento, entretenimento de banalidade/vulgarização, a parte mais consciente tem que agir. Para o bem de todos.

Precisamos aprender a criticar o que não é legal, a elogiar o que deve ser exaltado, mostrar o que é bom e que vale a pena ser seguido. Todo mundo tem alguma coisa boa para ensinar e, principalmente, a aprender com os demais. Só precisamos colocar nosso bom senso e boa vontade para funcionar. Porque não dá mais para deixar as coisas como estão. Não dá mais para aceitar calada CPIs que não dão em nada; políticos (presidente, principalmente!) que afirmam não saber nada sobre algum podre que é descoberto; mulheres melancias/jacas/samambaias, com bundas e peitos siliconados em excesso e cérebro/conteúdo em falta.

Eu, de um jeito ou de outro, estou tentando fazer a minha parte. E você?

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