Uniban

Que tipo de roupa um homem deveria usar para causar tumulto em uma universidade, gerar ameaças de estupro (contra ele, evidentemente), ser ofendido por uma multidão enfurecida (composta, basicamente, por pessoas do sexo oposto), precisar se trancar em uma sala de aula por medo de ser agredido/violentado e só conseguir sair de lá com escolta policial, sob coro de algum termo ofensivo?

Nem mesmo aparecendo nu esse homem seria capaz de causar tamanho alvoroço. Mas em uma sociedade machista e preconceituosa, baseada em um falso moralismo, bastou uma mulher aparecer com um vestido mais curto que o “aceitável” para que um grupo de primatas estudantes de “nível superior” da Uniban, de São Bernardo do Campo (SP), quisesse a cabeça – e outras partes – de uma graduanda de Turismo.

Não estou dizendo que a roupa que ela usou não importa – importa sim, uma vez que vivemos em sociedade e, para que isso ocorra de maneira harmoniosa, algumas “regras” devem ser seguidas. Mas precisava a faculdade inteira parar?  Precisavam fazer ameaças de estupro? Precisavam ficar pendurados na janela como macacos? Que absurdo é esse?!

Tenho certeza que esses mesmos homens, metidos a machões e donos de moral irrepreensível (hahaha, faz-me rir!), já saíram dezenas de vezes em busca de garotas com as mesmas características dessa estudante, mas, como era conveniente para eles, nenhuma delas foi chamada de puta. Também tenho certeza que essas mesmas mulheres, que engrossaram o coro contra a estudante, também já usaram roupas insinuantes – curtas, decotadas, justas… – para chamar a atenção de algum cara por aí, mas também não são meretrizes. Só a outra é que é, né?

Lamentável ver uma atitude como essa vinda de pessoas ditas de nível superior, que têm acesso à cultura, que vivem em um mundo mais democrático e liberal do que o que viveram nossos pais e avós, com acesso praticamente ilimitado à educação e à informação.

Mas tem o lado B da história: também foi lamentável a atitude da aluna ofendida. De verdade: qual a necessidade de se vestir daquela maneira para ir à faculdade? Ela (e os pais dela também) não viram que a roupa estava extremamente curta, provocativa demais? Que raio de família “liberal” – ou libertina? – essa aluna tem? O que passa na cabeça da pessoa ao se vestir dessa maneira, seja para ir à faculdade ou à uma balada? Em qualquer lugar ela seria vista e taxada como profissional do baixo meretrício mesmo! É inevitável.

Temo, de verdade, pelo futuro, ao ver que essas pessoas, esses universitários (ofensores e ofendida – jamais vítima, porque a menina tinha bastante noção do tipo de roupa que estava usando), são o futuro de nosso país, de nosso mundo. Tenho medo do que pode acontecer; tenho vergonha do que já está acontecendo.

Diante de uma situação tão ridícula e absurda, resta à Uniban – além de tentar contornar o estrago à sua imagem – estabelecer algumas regras de conduta para os alunos, como exigir moderação no vestuário (especialmente para as mulheres) e a adoção de medidas enérgicas em casos de tumulto.

+ infos: http://migre.me/aku8 | http://migre.me/aks9

Anúncios

Um comentário sobre “Uniban

  1. Que sirva de lição, para ela repensar a moda, com disse a Glória Kalil: “moda é informação”. Agora, quanto aos colegas de universidade, este tipo de coisa me faz ter vergonha de ser brasileira: Às vezes. (só às vezes)

    beijos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s