Cansei, por Mel Brienda

O texto abaixo, que já foi publicado aqui, foi escrito por uma amiga minha, Melissa, num momento de saco cheio (você ainda se lembra desse texto, Mel?). E hoje, diante de tudo o que ando sentindo e pensando a respeito da vida, do mundo, das pessoas, o texto* se encaixa perfeitamente.

Cansei…

Estou com o saco cheio de gente que não sabe o que diz.

Estou com saco cheio de gente que passa pela gente e nem diz bom dia; ou diz quando precisa de algum favor da gente coisa urgente.

Estou com o saco cheio de gente que acha tudo lindo, maravilhoso, mesmo sem entender nada e continua achando lindo.

Estou com o saco cheio de viver para trabalhar e cair desmaiada na cama.

Estou com o saco cheio de ficar em casa no final de semana.

De não ter dinheiro pra nada.

Estou com o saco cheio de não conseguir fazer nada que planejo.

De fazer mil planos e nada dar certo, nada sair do papel.

Estou com o saco cheio de futilidade,

do que as regras dizem,

do que as pessoas dizem,

do que as pessoas pensam.

Estou com o saco cheio de me sentir presa.

Presa dentro de mim mesma.

Cheia de vontades, planos e ideias, mas, ainda assim, presa, presa, presa.

Uma presa.

Estou com o saco cheio de sempre ligar, escrever, mandar e-mails, cartas, para os meus “amigos” e eles passarem o ano sem me procurar, ou sem me escreverem espontaneamente, que não seja respondendo um e-mail meu, rapidinho, “oi tudo bem, até mais, beijos!”

Estou com o saco cheio de mensagens prontas,

frases prontas,

ideias prontas.

De só reclamar, de só duvidar, de ter medo.

De não ter coragem,

de não aceitar,

de não confiar,

não sorrir,

não gostar,

não amar,

não acreditar,

não perdoar,

de desonestidade e desrespeito,

de coisas pela metade,

de doações pela metade,

de emoções pela metade,

de dedicação pela metade.

Estou com o saco cheio de violência pela “paz”.

Estou com o saco cheio de abaixar a cabeça,

de ter medo.

Estou com o saco cheio deste bla bla bla.

Estou com o saco cheio do preço das coisas.

Do preço das coisas…

De sentir saudade e não resolver, e continuar sentindo saudade.

De não abraçar,

de não poder tocar,

de não poder olhar,

de não poder fazer o que der na telha.

Estou com o saco cheio de tudo sem amor,

de tudo sem motivação.

De ter que me submeter,

de ter que ficar quieta para não perder o emprego…

Estou com o saco cheio de reprimir meus sentimentos.

Estou com o saco cheio desta falta de ideais.

Desta falta de sal,

desta falta de açúcar,

de tempero,

de amor, de carinho…

Ah!!! Estou com o saco cheio…

* O texto foi editado. O original é esse aqui.

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Um comentário sobre “Cansei, por Mel Brienda

  1. Vixe!!!!
    Acho que de lá pra cá eu dei uma relaxada!!! hahahaha!
    Não lembrava mais dele, mas ele é nosso texto de cabeceira, né? 😉
    beijos!!!!!

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