Há tanta vida lá fora…

Agora há pouco, enquanto voltava de uma entrevista, passei por uma praça, ao lado do hotel Tivoli (na Alameda Santos) e percebi que existia vida ali. Ok, existe vida em todo lugar, eu sei. Mas eu vi a vida. Entende? Vento suave batendo no rosto, flores e folhagens, sol, o som do vento nas árvores, cachorros brincando e correndo pela praça, algumas pessoas sentadas simplesmente olhando os cães e o dia passarem, e outras se exercitando.

Não havia nada de absurdo ou extraordinário na cena, exceto o fato de que eu nunca faço isso. Nunca levei minha cachorrinha para passear numa praça e ter contato com outros cães; há anos não sei o que é ficar quieta num canto tomando sol; há tempos não saio com meus amigos, porque estou sempre cansada demais para isso (sair para dançar então!); há séculos não fico à toa, apenas observando a movimentação à minha volta, olhando as pessoas, a natureza, o céu…

De uns anos para cá, sinto que perdi a vida que vi hoje pulsando naquela praça. Perdi o prazer de fazer pequenas coisas, coisas que parecem tão triviais para a maioria das pessoas, mas que fazem enorme diferença no final das contas. Perdi, inclusive, a paz de espírito que eu tinha.

Hoje, encontro uma pedra atrás da outra no meu caminho. São probleminhas de saúde, excesso de trabalho (não que eu não goste de trabalhar, ao contrário, mas preciso aprender a “passar o crachá” depois das 18h), falsidade 24 horas por dia (e as pessoas, que se fazem de simpáticas e boazinhas comigo, acham que não enxergo isso…), e por aí vai. Se eu fosse fazer uma relação de tudo o que não anda certo na minha vida ultimamente, acabaria escrevendo um livro… Tudo isso é desgastante demais.

Enquanto caminhava de volta à redação e observava aquelas pessoas, notei que preciso mudar (urgentemente) algumas coisas em minha vida. Preciso rever minhas prioridades e (re)começar a fazer coisas que me proporcionem bem-estar e felicidade, pois esse novo ânimo tende a gerar benefícios não apenas a mim, mas também àqueles que estão ao meu redor. Compreendi que preciso cuidar mais de mim e das pessoas que eu amo, que são pessoas essenciais em minha vida, mas que, por essa ou aquela razão, acabam sendo negligenciados. Notei ainda que é imperativo tomar algumas atitudes mais drásticas para melhorar minha vida – mudar de rumo e descobrir novos caminhos, redescobrir quem sou, o que gosto, o que quero, e não apenas seguir o mesmo caminho de sempre, fazendo o que sempre fiz, da maneira que sempre fiz.

Levei anos para enxergar o que estava acontecendo comigo e, de uma hora para outra, uma cena tão simples me fez finalmente entender – e aceitar – que é preciso dar uma virada em minha vida se eu quiser, de fato, ser feliz.

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Um comentário sobre “Há tanta vida lá fora…

  1. Então faça, minha amiga. Não é tão difícil. Permita-se estas coisas. Porque isso é o que REALMENTE importa.
    beijos, querida.

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