20 anos depois

Não sei dizer quando foi a primeira vez que ouvi uma música deles. Mas me lembro que estava com nove para dez anos e, para uma menina que até então era fã de New Kids On The Block, o som daqueles cinco cabeludos tatuados era impressionante. Forte, violento e, ao mesmo tempo, cativante. Diziam que eles formavam a banda mais perigosa do mundo – sinceramente, eu não fazia a menor ideia do que isso significava, mas o título parecia incrível.

Durante muito tempo acompanhei o trabalho da banda por revistas, rádio e TV (é, isso foi bem antes da internet…); comprei pôsteres e fotos (essa foi a única banda em toda a minha vida que conseguiu a façanha de me fazer colar pôsteres na parede – imaginem a cara de satisfação da minha mãe quando viu o quarto de estudo “possuído” por centenas de fotos pela primeira vez!); viajava ouvindo as músicas (mesmo sem entender a maior parte das letras – afinal, até então, meu inglês era aquele maravilhoso inglês escolar); sonhava com o vocalista ruivo e o baixista loiro, meus primeiros sonhos de consumo e os primeiros homens pelos quais eu me interessei; invejava o dom do guitarrista e desejava um dia poder tocar como ele.

O tempo passou, algumas bobagens foram feitas e faladas pelo ruivo lindo (e me deixaram muito decepcionada), a banda foi perdendo seus integrantes originais lentamente, caiu no marasmo e no descrédito por conta da promessa de lançamento de um álbum (que levou cerca de 15 anos para ficar pronto e trouxe um resultado péssimo, muito forçado) e, por fim, sobrou apenas uma pessoa e um nome famoso.

Agora, 20 anos depois desde o primeiro contato, finalmente tive a oportunidade de assistir a um show do Slash, o cara que, para mim, é a alma do que um dia foi o Guns n’ Roses – e que em nada se parece com a banda atualmente (ou com o que sobrou dela).

A apresentação foi ontem, no HSBC Brasil, e fez parte da We’re All Gonna Die Tour, turnê de divulgação do primeiro álbum solo dele, e foi uma das coisas mais incríveis que eu vi na vida. Não só pelo show em si, que foi  absolutamente fantástico (mesmo com seus 45 anos, o Slash continua tocando muito bem e com muita paixão), mas pela realização de um sonho de infância. A última vez que a banda veio para o Brasil, com a formação clássica, foi em dezembro de 1992 e, à época, eu tinha míseros 11 anos e pais que nunca me levariam a um show de hard rock.

Agora, aos 29 anos, tive a oportunidade de ver meu guitarrista favorito ao vivo e em cores, grudada à beira do palco, a uma pequena caixa de som de distância (graças a uma santa credencial de imprensa conseguida por uma amiga que, naquele dia, provou que realmente é minha amiga. Para aturar um show de rock estupidamente alto e barulhento,  sem gostar de rock, só sendo amiga mesmo!)

Ali, diante daquele palco ou em meio aos fãs que lotavam a pista do HSBC, aquela menina de nove anos se sentiu plenamente realizada. “Agora só falta ver o Duff”, pensou, feliz, ao deixar a casa de show na madrugada de hoje.

Nesse momento, não existia nem a tal caixa de som separando o ídolo da fã-jornalista...

Set list:
• Ghost
• Mean Bone (Slash’s Snakepit)
• Sucker Train Blues (Velvet Revolver)
• Nightrain (Guns n’ Roses)
• Rocket Queen (Guns n’ Roses)
• Civil War (Guns n’ Roses)
• Back From Cali
• Starlight
• Nothing To Say
• Beautiful Dangerous
• We’re All Gonna Die
• Just Like Anything (Slash’s Snakepit)
• My Michelle (Guns n’ Roses)
• Fall To Pieces (Velvet Revolver)
• Sweet Child O’Mine (Guns n’ Roses)
• Slither (Velvet Revolver)
• By the Sword
• Mr. Brownstone (Guns n’ Roses)
• Paradise City (Guns n’ Roses)

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