Life goes on

Uma mulher loira, bonita, por volta de 35 anos, entra no primeiro vagão do metrô, na estação Consolação. Com feição decepcionada, senta-se no primeiro banco e, sem alarde, algumas lágrimas surgem.

Pessoas passam, observam a cena e, em seguida, voltam ao seu mundo, pouco se importando com o que viram. “Apenas mais um drama particular”, devem pensar.

Perto de mim, uma mulher comenta com outra, em tom de deboche: “Há! Namorado da bonitinha deve ter dado um fora nela. Só pode”. Olho séria para a falante, deixando clara minha desaprovação ao comentário barato e descabido e, sem jeito, ela se afasta de mim, sem dizer mais nada à amiga.

Minha atenção volta à mulher que chora. Noto que ela carrega, além da bolsa, duas sacolas. Em uma delas, vejo caderno, agenda de contatos e um grampeador. Seu material de trabalho, penso.

Passam-se as estações e ela, com os olhos vermelhos, ainda tentando conter as lágrimas, continua olhando fixamente para as sacolas.

Estação Paraíso. Paraíso, nome irônico. Ela levanta, sem olhar ninguém nos olhos, pega seus pertences e vai embora.

Fico tentando imaginar o que aconteceu, as consequências dessa possível demissão em sua vida…

Espero que fique bem.

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