Afronta

Na CBN, agora pela manhã, Xexéo comentava sobre as manifestações do dia 7 de setembro. Ele disse, entre outras coisas, que deve ser difícil para um policial receber provocações e não revidar (embora a truculência adotada não justifique essa “dificuldade” em lidar com essas situações, afinal, policiais são treinados para momentos críticos).

Fiquei pensando: diariamente somos afrontados pelos desmandos e pelos abusos do governo, que insiste em desrespeitar a população com seus atos, com seus salários altíssimos, com suas regalias, com sua impunidade; somos agredidos pela péssima qualidade do transporte público, que sempre quer cobrar mais caro, mas sem se dar ao trabalho de melhorar o serviço oferecido ao povo; vivemos acuados graças à ineficiência da Segurança Pública, que não consegue conter a crescente criminalidade (seja em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Vitória…); somos afrontados com os ridículos valores que nossos aposentados recebem (R$ 2.000, R$ 3.000 quando têm muita sorte, uma vez que grande parte deles recebe o humilhante valor de um salário-mínimo, que não garante sequer as necessidades básicas de UM indivíduo, quanto mais de uma família), enquanto sujeitos infames como o sr. Genoíno está em vias de se aposentar com a “fortuna” de R$ 26.770 mensais (por que?!); somos ofendidos diariamente com a falta de qualidade da educação oferecida às nossas crianças, que muitas vezes saem do Ensino Fundamental sem conseguir ler um texto simples, sem conseguir fazer um cálculo simples (soma, subtração), sem ter condições de entrar e competir no mercado de trabalho por serem analfabetos funcionais; somos violentados todos os dias por conta da palhaçada que é o nosso sistema de saúde, pela falta de médicos, pela má vontade de muitos profissionais…

Eu poderia passar o resto do dia citando exemplos de afrontas, ofensas, violências, agressões que sofremos cotidianamente, mas acho desnecessário. Você sabe muito bem o que você precisa encarar diariamente, não é?

A forma que a população – em especial os jovens – encontraram para colocar para fora toda a frustração foram os protestos, foram os gritos de revolta e de basta que tomaram as ruas. Sabemos que os cansados desses abusos todos não estão sozinhos nos protestos; tem muita gente se aproveitando do momento para criar caos, para lucrar de alguma maneira (ou apenas causando tumulto sobre “ordens superiores”, para que as manifestações sejam desacreditadas perante a opinião pública).

O fato é que, se adotássemos a mesma postura truculenta, ignorante e sem razão da polícia – os “pobres coitados” que sofrem com as afrontas dos manifestantes bobos, feios e chatos –, o que viraria essa terra?

Se nós, cidadãos, não temos direito à revolta/violência, porque esses senhores, que têm a finalidade principal de nos proteger, se acham no direito de nos agredir? Até quando pessoas como o Cap. Bruno – aquele “fulaninho” do Distrito Federal que agrediu “porque quis” – vão ficar à solta, impunes? Isso é uma verdadeira afronta, não meia dúzia de palavras grosseiras.

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