Caráter

Pessoas. Ô raça complicada. Num dia está tudo bem, no outro está de cara feia. Num dia está comunicativo, no outro está mudo. Num dia o trata como seu melhor amigo, no outro o ignora. Confesso que tenho dificuldade para lidar com a mudança de humor das pessoas. Fico receosa em conversar/conviver com gente que muda de comportamento como quem troca de roupa. Seria resultado de uma severa bipolaridade? Ou apenas falta de respeito para com os demais?

Mas, pior que isso, é lidar com a mudança de caráter alheio. Como isso me incomoda! É evidente que todo mundo tem seus momentos de irritação, de insatisfação com a vida, de nervosismo… e isso faz com que nosso humor mude. Somos humanos, afinal. Mas caráter é o tipo de coisa que não deveria sofrer variações. Pelo menos não tão bruscas. Caráter é o modo de ser de uma pessoa, suas características próprias, seu temperamento. É um traço de sua personalidade que diz respeito à sua maneira usual de agir. Ou seja, é algo mais profundo.

Para Oscar Wilde, “os pequenos atos de cada dia fazem ou desfazem o caráter”. Já um provérbio chinês diz: “Após uma longa distância, você aprende sobre o vigor de seu cavalo. Após um longo período de tempo, você aprende sobre o caráter de seu amigo.

Ultimamente, tenho aprendido bastante sobre caráter. Sobre o meu e o dos outros. Não sou ingênua a ponto de achar que não falho, que sou melhor que os outros, mas, quando percebo que não agi adequadamente, tento me policiar para não voltar a repetir o erro. A criação que tive me ensinou a ser “humana”, no sentido amplo do termo. Porém, o que tenho notado em relação aos outros tem me decepcionado. (Talvez eu esteja perdendo meu tempo tentando melhorar minhas ações; talvez não valha tanto a pena ser ética e ter caráter. Vai saber?!) As pessoas fingem ser uma coisa que definitivamente não são; não passam nem perto daquilo. Brincam de ser amigas, quando o que verdadeiramente importa é o lucro que obterão com aquela “amizade”; demonstram simpatia na presença de alguém, mas a criticam fortemente pelas costas; passam a imagem de boazinhas e agradáveis, mas são víboras esperando o momento certo de dar o bote.

Lamentável ver a quantas andam as relações hoje em dia. Como tudo é tão banal, tão sem sentido. Amizade está perdendo espaço para o interesse, o oportunismo. Difícil saber em quem confiar, se é que devemos realmente confiar em alguém além de nós mesmo.

Arthur Schopenhauer dizia que “as causas não determinam o caráter da pessoa, mas apenas a manifestação desse caráter, ou seja, as ações”. Sinto muita vergonha das ações que tenho visto…

’Máscara cai, caráter se revela...

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