Sobre a transitoriedade da vida

Assim que nascemos, somos automaticamente inseridos em um microcosmo social – pais, tios, avós, irmãos (não no meu caso), primos. Pessoas que, mesmo que não tenhamos feito absolutamente nada para conquistar, simplesmente estão lá para o que precisarmos, quando precisarmos, se precisarmos.

E a vida vai seguindo, dia após dia, felicidade após felicidade, luta após luta, e essas pessoas, de um jeito ou de outro, geralmente se mantêm por perto – ajudando, interferindo, apoiando, apenas estando lá…

Ficamos habituados ao contato com elas; aprendemos a reconhecer (algumas de) suas atitudes e reações a determinadas situações; de modo instintivo, passamos a conhecer suas feições e seus trejeitos. Mesmo sabendo que “há tanta vida lá fora”, como cantou Lulu Santos há muito tempo, elas são efetivamente o nosso mundo, o mundo que conhecemos.

E a vida continua indo em frente, a passos cada dia mais largos e apressados, muitas vezes correndo como se, sem essa pressa, não fosse possível haver um amanhã. Aí, conforme a velocidade vai aumentando, gradativamente vamos nos dando conta de que aquele nosso microcosmo mudou. Aquelas pessoas mudaram. Nós mudamos. Para o bem ou para o mal.

Hoje há marcas nos rostos, cicatrizes deixadas pela vida e pelas pessoas que passaram por ela. As cores do cabelo, e até mesmo o tom da pele, já não são mais os de antes: surgiram os fios brancos, um a um, até se tornarem quase unanimidade sobre nossas cabeças; surgiram pequenas manchas de tonalidades variadas na pele, comprovando que muito tempo se passou desde aquele nosso primeiro encontro com elas. A memória, a disposição, o corpo já não são tão bons quanto já fora um dia.

E, mesmo sendo mágica e assustadora, a vida seguirá em sua marcha rumo ao infinito, e as cores e as texturas seguirão em processo de mutação contínua, e o nosso universo particular continuará evoluindo, provavelmente em um ritmo ainda mais acelerado… até não restar mais nada.

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