Descaso com a saúde em São Paulo

Paula Craveiro

Como um transplantado, dependente de medicamentos para evitar a rejeição do órgão recebido, pode explicar para o seu organismo que, excepcionalmente, ele não receberá o remédio necessário naquela semana? “Aguenta aí só uns cinco dias. Depois eu volto a te dar o medicamento. O que são 5, 10, 15 dias na vida de alguém, não é, rim?

O corpo não tem essa compreensão; os órgãos não podem esperar pacientemente enquanto a logística do SUS/Ministério da Saúde se reorganiza e deixa as farmácias dos postos de alto custo sem o estoque necessário para atender às necessidades dos pacientes cadastrados para o recebimento dos medicamentos.

Para os receptores e para sua família, esse é o tipo de situação que não tem o menor cabimento! Depois de enfrentar anos de tratamento, hemodiálise… e, enfim, conseguir um órgão, não tem nada no mundo que justifique a perda dele por causa de erro…

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Dois pesos, duas medidas

Não é segredo que as pessoas são tendenciosas na maior parte do tempo e que, muitas vezes, as regras do jogo são validadas de acordo com o interesse desse ou daquele. Entendo que isso seja parte da natureza humana, do nosso “instinto de sobrevivência”.

Ainda assim, incontáveis vezes, me pego surpresa com esse joguinho de “dois pesos, duas medidas” praticado a torto e a direito, tanto no campo pessoal, quanto no campo profissional.

Acho estranho, quase bizarro, como o mesmo erro pode receber avaliações tão diferentes dependendo de quem errou e/ou de sua relação com o “julgador”. Por que o erro de um amigo é menos grave do que o de um conhecido ou de um estranho? Se é o mesmo erro… Por que um esquecimento meu é menos importante, menos causador de problemas, do que o seu esquecimento? O que torna as pessoas diferentes se a falha é a mesma?

Eu sei que é apenas uma questão de interesse, eu sei. Minhas perguntas são apenas retóricas. Mas, de qualquer modo, isso me incomoda. Tenho visto tanta coisa sem sentido ultimamente, tanta coisa sem uma lógica clara que, no fundo, tenho minhas dúvida se é somente uma questão de interesse mesmo ou se o problema é falta de caráter das pessoas.

Sobre a arte de criar e escrever

Vamos deixar uma coisa bem clara agora, pode ser? Não existe um Depósito de Ideias, uma Central de Histórias nem uma Ilha de Best-Sellers Enterrados; as ideias para boas histórias parecem vir, quase literalmente, de lugar nenhum, navegando até você direto do vazio do céu: duas ideias que, até então, não tinha qualquer relação, se juntam e viram algo novo sob o sol. Seu trabalho não é encontrar essas ideias, mas reconhecê-las quando aparecem.

Stephen King – Sobre a escrita

Vem pra rua!

Lá e cá, dois mundos

por Paula Craveiro • Revista Filantropia nº 62 • Agosto/2013

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Vem pra rua

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Ativistas vão às ruas no país [e também no exterior] para exigir o cumprimento de seus direitos

Há muitos anos o Brasil não presenciava a ocorrência de um movimento popular como o que tomou suas ruas nos meses de junho e julho. Insatisfeito com os aumentos nas tarifas de ônibus, metrô e trem, e com a baixa qualidade dos serviços prestados, o Movimento Passe Livre (MPL), organização de alcance nacional, convocou a população a protestar. Sob gritos de ordem como “Vem pra rua” e “O gigante acordou”, ou ao som de “Eu sou brasileiro…” ou do hino nacional, milhares de pessoas – em sua maioria, jovens – tomaram parte das principais ruas e avenidas de diversas cidades em uma série de atos públicos.

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Ordem no Congresso

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“Todo aumento de tarifa é uma injustiça. Cada vez…

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Para ou continua em SP?

Lá e cá, dois mundos

As últimas semanas foram totalmente atípicas no País inteiro. Milhões de pessoas saíram às ruas para exigir a redução das tarifas de ônibus e de metrô, gritaram, brigaram e, por fim, “venceram” a batalha (embora saibamos que guerra ainda será longa).

Aqui em São Paulo, tivemos o início de uma guerrilha urbana na Rua da Consolação – graças a ação patética da Tropa de Choque e da PM, com seus profissionais despreparados e incapacitados (ou agindo como tal sob ordens superiores) para lidar com pessoas que exerciam seus direitos de se manifestar (cidadania, meus caros!). Também foram registrados diversos incidentes no mínimo bizarros, como saques em lojas do Centro, carros de emissoras de TV queimados, tentativas de invasão à sede da prefeitura e ao Palácio dos Bandeirantes, entre outros, além da omissão – completa, descarada e vergonhosa – da Polícia, que tentou dar “lição de moral” nos manifestantes (enquanto deixou…

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É assim que se faz, seu Cabral

Lá e cá, dois mundos

Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, disse ontem (20) que havia a possibilidade de ocorrência de atentados durante a manifestação. E houve. Vários, a propósito. Em nome dos cariocas, agradeço o aviso.

Bope, Choque e PM – a mando do senhor governador (e, quiçá, do ministro da Justiça, sua “fonte”) – atentaram contra a vida de milhares de pessoas que exerciam seu direito de ir e vir, de se reunir em local público para protestar, de exercer a cidadania em uma sociedade democrática. Atentaram contra os direitos humanos, contra a liberdade de expressão, contra a dignidade, contra o bom sendo, a civilidade e a ética.

O Excelentíssimo Senhor Governador, em seu gesto repressor e ditatorial, esqueceu – ou ignorou, sem nenhum pudor – o fato de que os manifestantes são pessoas cansadas de aguentar abusos por parte daqueles que deveriam protegê-los, não vândalos ou selvagens; esqueceu ainda que, entre…

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Muda, Brasil

Lá e cá, dois mundos

Por Paula

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O que estamos vendo nos últimos dias pelas ruas do País é algo impressionante. Milhares de pessoas – jovens, velhos, homens, mulheres – unidas em favor de uma causa comum. R$ 0,20 foi a gota d’água que faltava para transbordar a insatisfação de uma nação já cansada de ser tratada como lixo por governantes incapazes de entender o conceito básico de democracia (governo do povo para o povo).

Ruas lotadas. Manifestantes que gritavam e exigiam a redução das tarifas de ônibus e de metrô. Sim, são “míseros” R$ 0,20 (valor com o qual não conseguimos comprar sequer um pão francês), mas que, contabilizados ao longo de um ano, representam prejuízo aos bolsos dos trabalhadores, vítimas de um salário-mínimo desrespeitoso, e que, multiplicados pelo número de usuários diários de metrô e/ou ônibus, geram milhões em lucro para as empresas.

Foi – e continua sendo – lindo ver os…

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