Natal, infância e maldade

Dia 24 de dezembro. O ano era 1988. A família estava reunida na casa da minha avó para celebrar o Natal. Eu tinha 7 anos e usava um conjunto de saia e top azul e branco e tinha ganhado uma Xuxinha de presente. Meu primo, um ano mais novo – e até então filho único – tinha acabado de ganhar um carrinho vermelho, conversível, de fricção, e minha boneca, com a maior cara de pau do mundo, se apossou do carro e ficou boa parte da noite andando para lá e para cá.

Ao lado da casa da minha avó havia um terreno vazio, cujo muro alto estava começando a ser coberto pelo mato, que já se curvava sobre ele. Não sei dizer em que momento meu pai juntou um maço daquele mato, mas lembro de tê-lo visto entrar na sala com as folhas sob o braço. Empolgada, corri até ele para perguntar para que ele havia recolhido aquele mato e ele, com um sorriso no rosto, me disse que era para o burrinho do Papai Noel. Eu tinha apenas 7 anos, então, releve o fato de eu não ter questionado se não seria rena e não burro. Meu pai colocou aquelas folhas atrás do sofá, próximas à porta de entrada da sala. À meia-noite, quando o bom velhinho parasse na nossa casa para entregar os brinquedos para as crianças, o bichinho faria uma pausa em sua viagem e “jantaria” a salada que meu pai preparou. Aquele era um ótimo plano!

Faltava pouco para a meia-noite, quando todos os adultos nos disseram para aguardamos o Papai Noel no quarto da minha avó – segundo eles, o sr. Noel era tímido… Que fofo. Fomos correndo para lá e, de repente, ouvimos um tilintar distante. O sino do trenó do Papai Noel, óbvio! Corri para a sala o mais rápido que pude na tentativa de ver o burrinho, mas não deu tempo. Vi meu pai voltando da rua, dizendo que tentou vê-lo, mas também não conseguiu. Sorrimos, felizes, ao ver que o bichinho pelo menos teve tempo de se alimentar antes de seguir viagem. Chamei minha mãe e contei o que aconteceu e lembro que ela ficou bastante satisfeita ao ver que o bichinho havia jantado direitinho.

Ao voltar para dentro de casa, meu primo mais velho veio correndo na minha direção e de nosso primo mais novo, rindo, debochado, dizendo que éramos dois tontos, que estávamos sendo enganados pelos adultos, que tudo aquilo não passava de bobagem e que Papai Noel, burrinho e sino de trenó eram coisas criadas por nossos pais. Com um sorriso cruel no rosto, de quem havia acabado de matar uma das partes mais bonitas da vida de uma criança, ele levantou uma colher de café e o arame que prendia a rolha na garrafa de champanhe e bateu um no outro, reproduzindo o som do sino.

Foi um momento triste. Foi ali, aos 7 anos, que o dia de Natal começou a perder a graça para mim, mas, mais do que isso, foi naquele dia que eu percebi que existiam pessoas maldosas, ruins, que agiam assim gratuitamente e, pior, que essas pessoas podiam estar presentes em todos os lugares, inclusive na nossa família.
Anúncios

Filosofia do Sucesso

Se você pensa que é um derrotado,
você será derrotado.
Se não pensar “quero a qualquer custo!”
Não conseguirá nada.
Mesmo que você queira vencer,
mas pensa que não vai conseguir,
a vitória não sorrirá para você.

Se você fizer as coisas pela metade,
você será fracassado.
Nós descobrimos neste mundo
que o sucesso começa pela intenção da gente
e tudo se determina pelo nosso espírito.

Se você pensa que é um malogrado,
você se torna como tal.
Se almeja atingir uma posição mais elevada,
deve, antes de obter a vitória,
dotar-se da convicção de que
conseguirá infalivelmente.

A luta pela vida nem sempre é vantajosa
aos fortes nem aos espertos.
Mais cedo ou mais tarde, quem cativa a vitória
é aquele que crê plenamente
Eu conseguirei!

Ciclos…

A vida é feita de ciclos. Começos, meios e fins. Recomeços, meios e outros fins. Etapas que podem ser curtas, médias ou longas – não importa. O fato é que, uma hora ou outra, esses ciclos se encerraram. Alguns abrem espaço para novos ciclos, novas experiências, novas oportunidades; outros simplesmente findam, simples assim. C’est fini.

Sempre tive grande dificuldade para lidar com essas rupturas, com as mudanças impostas pela vida, com seus altos e baixos e constantes variações de humor. Já enfrentei muitos finais de ciclos, mas, por vezes, eles ocorreram contra a minha vontade, sem que eu tivesse agido para isso; apenas reagi ao que estava acontecendo, em uma tentativa de sobreviver ao caos que alguns desses fins de ciclos provocaram.

Agora, cada vez mais próxima de iniciar um novo ciclo da minha vida – meu trigésimo sexto… – talvez eu esteja me sentindo mais à vontade, mais madura, mais confiante em dar um passo em direção ao término de um ciclo – em especial – que, há dez anos, completados este ano, tem se estendido para além do necessário. Foi uma fase importante, sem dúvida, em que aprendi muita coisa bacana e que, também, me auxiliou em períodos turbulentos, mas que, agora, está na hora de ser concluído e deixado para trás. Não há mais nada a me acrescentar. Então, melhor encerrar por aqui e preservar as boas memórias, certo?

Seneca

Desaforo

Acho um “desaforo” eu ter tantas dúvidas, tantas perguntas, tantos pensamentos estranhos e confusos, tantas ideias, tantas crises, tantas neuras, tantas inseguranças e incertezas, tantos medos, tantas frustrações, tantos sonhos, tantas preocupações… e não ter ninguém – NINGUÉM – para me explicar o que tudo isso significa, ninguém para me ajudar a entender e enfrentar essas coisas. Porque sozinha, às vezes, isso tudo é sufocante e desolador, é desesperador.

Love, Rosie

love-rosie.gif

You need someone who can help you reach your dreams and who can protect you from your fears. You need someone who will treat you with respect, love every part of you, especially your flaws. You should be with someone who can make you happy, really happy, dancing-on-air happy.

Love, Rosie (2014)

Sinais

Existe algum sinal, algum sintoma, qualquer coisa que sirva como indicação concreta de que uma pessoa está chegando ou já chegou ao seu limite? Dor no peito? Vontade persistente de chorar? Desejo de não sair da cama ou não ouvir a voz de ninguém? Reação exagerada a uma situação de estresse? Sensação de irritação por tudo e por nada? Dores pelo corpo sem motivo aparente? Insônia ou excesso de sono? Vontade de largar tudo? Como saber se chegamos a esse limite?

Sonhe grande

Sonhe grande. 

Não se limite. 

Arrisque-se.

Siga seus sonhos. 

Frases imperativas bonitas e convincentes. Ideias fortes e motivadoras. Incentivos necessários para seguirmos nossas vidas e buscarmos nossos objetivos, ou tentarmos descobrir se, de fato, temos algum objetivo na vida.

Sempre tive certeza de que meu principal objetivo nesta vida era ser jornalista e levar informação aos meus leitores. Além disso, queria escrever e ser lida, queria deixar uma marca positiva naquela pessoa – não importa quem ela fosse. Fiz o que foi preciso para chegar lá e, enfim, me tornei o que eu queria ser.

Escrevi muito. Li muito. Pesquisei muito. Trabalhei de dia, de tarde, de noite e, também, de madrugada; em dias úteis, finais de semana e feriados. Sacrifiquei momentos de lazer ou em companhia da família. Fiz muitas coberturas de eventos. Fechei muitas publicações. Editei muitos textos. Fiz muitas entrevistas. Redigi muitas matérias, notas e artigos. Revisei muito material. Escrevi, escrevi, escrevi… até não sentir mais vontade de escrever. Pelo menos, não as coisas que escrevo para sobreviver. Durante muito anos, escrevi tanto! Mas quase nunca escrevi sobre assuntos que amo e que fossem verdadeiramente do meu interesse.

Hoje, preciso de um novo sonho, de um novo estímulo para continuar a seguir em frente. Quero um novo propósito para a minha vida. Quero continuar escrevendo, porque é isso o que eu sei fazer, porque é isso o que eu amo fazer, mas quero textos que me façam feliz. Textos que me deem prazer em escrever. Textos divertidos, dramáticos, românticos, sensuais, depressivos, infantis, sonhadores… Escrever por amor, não mais por obrigação.

Quero voltar a sonhar grande, a me arriscar, a não me limitar, a seguir meus sonhos. A ter sonhos… Quero voltar a sentir amor pelo que faço. Quero tornar a me emocionar ao ver um texto meu sendo publicado. Quero relembrar o que é receber um elogio, ou mesmo uma crítica, ao publicar um novo texto. Quero mudar a minha rota, replanejar minha vida.

Mas por que é tão difícil recomeçar? Por que é tão complicado considerar a possibilidade de começar do zero, abrir mão do que já se tem (independentemente do que já se tenha) e voltar a ser aprendiz? São muitas inseguranças e poucas (ou nenhuma) respostas. Será que terei sucesso? Será que nadarei, nadarei, nadarei e morrerei na praia? Ou será que alguém lá em cima está me guiando para uma nova vida? Queria uma resposta para essas dúvidas. Queria uma certeza sobre qual caminho seguir… porque, até agora, a única certeza que eu tenho é sobre o caminho que não quero mais seguir.