Sinais

Existe algum sinal, algum sintoma, qualquer coisa que sirva como indicação concreta de que uma pessoa está chegando ou já chegou ao seu limite? Dor no peito? Vontade persistente de chorar? Desejo de não sair da cama ou não ouvir a voz de ninguém? Reação exagerada a uma situação de estresse? Sensação de irritação por tudo e por nada? Dores pelo corpo sem motivo aparente? Insônia ou excesso de sono? Vontade de largar tudo? Como saber se chegamos a esse limite?

Si vis pacem, para bellum

Uma frase tão curta e aparentemente boba, mas tão cheia de significado,
especialmente neste período atribulado que estou vivendo.

Na paz, prepara-te para a guerra.
Na guerra, prepara-te para a paz.

Queria ter conhecido essa frase antes.
Queria ter entendido esse significado antes.
Mas acho que ainda dá tempo de correr atrás…

Dois pesos, duas medidas

Não é segredo que as pessoas são tendenciosas na maior parte do tempo e que, muitas vezes, as regras do jogo são validadas de acordo com o interesse desse ou daquele. Entendo que isso seja parte da natureza humana, do nosso “instinto de sobrevivência”.

Ainda assim, incontáveis vezes, me pego surpresa com esse joguinho de “dois pesos, duas medidas” praticado a torto e a direito, tanto no campo pessoal, quanto no campo profissional.

Acho estranho, quase bizarro, como o mesmo erro pode receber avaliações tão diferentes dependendo de quem errou e/ou de sua relação com o “julgador”. Por que o erro de um amigo é menos grave do que o de um conhecido ou de um estranho? Se é o mesmo erro… Por que um esquecimento meu é menos importante, menos causador de problemas, do que o seu esquecimento? O que torna as pessoas diferentes se a falha é a mesma?

Eu sei que é apenas uma questão de interesse, eu sei. Minhas perguntas são apenas retóricas. Mas, de qualquer modo, isso me incomoda. Tenho visto tanta coisa sem sentido ultimamente, tanta coisa sem uma lógica clara que, no fundo, tenho minhas dúvida se é somente uma questão de interesse mesmo ou se o problema é falta de caráter das pessoas.

As coisas simplesmente não acontecem

Existem dias em que as coisas simplesmente não acontecem conforme o esperado. O carro dá problema, o metrô vem lotado, o ônibus atrasa, as pessoas não entendem o que você disse e distorcem o sentido/fazem mimimi, você não consegue encontrar tempo para almoçar, alguém tenta bancar o esperto sobre você, surge uma cobrança sobre algo que você não está devendo, alguém tenta te dar uma lição de moral por qualquer motivo… E você se irrita, se amargura, pensa em brigar, tenta entender o motivo daquilo tudo. Por que?! Com tanta gente no mundo, por que encher justamente a minha paciência?! Por que as coisas dão errado só para mim? Daí surge uma necessidade quase absurda de encontrar um culpado para todos aqueles problemas que resolveram chegar ao mesmo tempo. Alguém tem que pagar por aquilo! Não posso arcar com esse prejuízo! Mas aí aquele dia termina, um novo dia começa e as coisas se tornam passado; muitas perdem o valor, outras se tornam incentivos para você colocar algumas atitudes em prática e tomar novas e melhores decisões no futuro, e a vida segue como se nada – ou quase nada – tivesse acontecido. E nem precisamos encontrar um bode expiatório para responder por todos aqueles problemas. Eles simplesmente perderam o sentido e a sua atenção. Ou novos problemas surgiram, para tomar o seu lugar.

Life goes on

Uma mulher loira, bonita, por volta de 35 anos, entra no primeiro vagão do metrô, na estação Consolação. Com feição decepcionada, senta-se no primeiro banco e, sem alarde, algumas lágrimas surgem.

Pessoas passam, observam a cena e, em seguida, voltam ao seu mundo, pouco se importando com o que viram. “Apenas mais um drama particular”, devem pensar.

Perto de mim, uma mulher comenta com outra, em tom de deboche: “Há! Namorado da bonitinha deve ter dado um fora nela. Só pode”. Olho séria para a falante, deixando clara minha desaprovação ao comentário barato e descabido e, sem jeito, ela se afasta de mim, sem dizer mais nada à amiga.

Minha atenção volta à mulher que chora. Noto que ela carrega, além da bolsa, duas sacolas. Em uma delas, vejo caderno, agenda de contatos e um grampeador. Seu material de trabalho, penso.

Passam-se as estações e ela, com os olhos vermelhos, ainda tentando conter as lágrimas, continua olhando fixamente para as sacolas.

Estação Paraíso. Paraíso, nome irônico. Ela levanta, sem olhar ninguém nos olhos, pega seus pertences e vai embora.

Fico tentando imaginar o que aconteceu, as consequências dessa possível demissão em sua vida…

Espero que fique bem.

Esse tipo de gente

Pensando em como as pessoas podem ser doentes e maldosas por causa de preconceitos bobos.

Hoje, no café da manhã, dividi uma mesa com um casal – um moreno baixinho, menor que eu, de Irecê (BA), e seu namorado, um negro alto, de uma cidade de Moçambique (não guardei o nome). O primeiro era arquiteto e o segundo, professor de dança, e trabalham em Madri há alguns anos. Conheceram-se lá e, depois de quase dez anos juntos, resolveram, finalmente, conhecerem suas famílias. Em Moçambique, a apresentação foi um fiasco. O baixinho sequer foi recebido pelos familiares do namorado. Aqui, a coisa não foi muito melhor. Os pais choraram, o pai disse que não aceitava filho baitola, que aquele “nego” que tinha que morrer, e por aí vai. Se eu fiquei triste com tudo isso, imagino o que eles sentiram.

Depois desses perrengues, revolveram se dar uns dias de férias antes de voltarem para casa e foram para Recife curtir o carnaval, e depois vieram para Fortaleza. Comentaram que aqui no hotel não tiveram contato com ninguém depois que um pai proibiu que seus filhos – “um casal de crianças loiras”, como disseram – falassem com “esse tipo de gente”. O negro, gente boníssima, diga-se de passagem, disse, com seu sotaque carregado, que aquilo doeu tanto quanto a rejeição da família dele. “Que tipo de gente somos? Que mal hacemos a eles sendo como somos?”. Não sei, de verdade. Não sei.

Mudamos de assuntos, conversamos sobre nossos trabalhos, sobre a beleza dessa praia, sobre outras amenidades; terminamos nossos cafés e nos despedimos. Subi para o quarto e eles continuaram lá embaixo.

Na hora do almoço, passei pela recepção e os encontrei, fazendo o check out. Eles vieram me agradecer a gentileza de ceder parte da mesa para que eles se sentassem. “Agradecer o quê, gente?! Pelo amor de Deus!” Como amigos de longa data, ambos me deram um abraço, tiraram uma foto (que eu sinceramente espero receber uma cópia) e foram para o aeroporto. Estavam felizes em voltar para casa, onde seriam bem recebidos pelos amigos que lá ficaram, sem se preocupar com os preconceitos descabidos. Fiquei feliz e aliviada por eles. De volta às suas vidas normais.

Não é apenas o preconceito contra gays, negros, mulheres, nordestinos ou qualquer outro grupo que me

Não é apenas o preconceito contra gays, negros, mulheres, nordestinos ou qualquer outro grupo que me “mata”, mas o fato de ver pais ensinando seus filhos a serem tão medíocres e odiosos quanto eles.

E 2013 chegou…

Que todas as 365 páginas desse novo capítulo de nossas vidas sejam preenchidas com boas histórias. Histórias de conquistas, de superações, de sonhos realizados, de amor, com muitas risadas, novos planos e desejos…

Que 2013 venha com tudo de bom!

 

“Gostaria de te desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente.
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes.
E que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua felicidade!”
Carlos Drummond de Andrade