Cara a cara

Se eu pudesse realizar um desejo hoje, neste momento, certamente seria ter a chance de bater um papo com Deus, cara a cara; e perguntar tudo o que eu gostaria de entender sobre a minha vida. O porquê de muitas coisas que acontecem ou que não acontecem; o porquê de as coisas serem como são; de eu ser como sou; os motivos de eu me sentir como me sinto; de algumas pessoas serem como são comigo… Seria incrível ter esse contato direto com Ele e entender a minha vida. Talvez Ele pudesse me mostrar algum sentido nisso tudo, porque até agora eu ainda não entendi nada…

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O incômodo da incerteza

Se tem uma coisa que me incomoda profundamente é a sensação de incerteza. Incerteza sobre a vida, sobre o trabalho, sobre a família, sobre a saúde, sobre as finanças, sobre o futuro.

Como boa virginiana que sou, gosto das coisas claras, gosto de “cartas na mesa”, com o máximo de detalhes e informações a respeito, o mais organizadas e estáveis possíveis.

Não sou dada a deixar nada por conta do “acaso” – não acho que ele faça um bom trabalho improvisando as situações. Não gosto de dar tiros no escuro, pois sei, por experiência de vida, que a chance de eu acertar ao alvo é mínima – nula, na verdade, já que sou péssima de pontaria. E não gosto de depender do “quem sabe”, do “talvez”, do “pode ser que” e, menos ainda, do tal do futuro. É incerto, é apavorante e pode muito bem simplesmente não acontecer.

Gosto de ter certeza ou, pelo menos, de algo o mais próximo possível disso; gosto de estabilidade, de garantias, de “pé no chão”. Sei muito bem me virar (quase sempre, pelo menos) quando o infame acaso resolve agir e sou obrigada a contornar a situação, mas odeio quando tenho que fazer isso, quando tenho que recomeçar, quando tenho que me virar do avesso para corrigir algo que eu não errei, que eu não mudei, que eu não tive poder para manter como estava. Me angustia a sensação de ter que recomeçar do zero quando eu sei que já estava bem mais avançada e que tinha tudo para me manter indo em frente, mas o acaso, ah, o acaso resolveu mudar as regras do jogo e me derrubou no meio do caminho.

Tenho me sentindo muito incomodada com a incerteza sobre a vida, sobre o trabalho, sobre a família, sobre a saúde, sobre as finanças, sobre o futuro.

Questionamentos…

Como manter a sanidade diante de uma avalanche de informações e de emoções?

Como manter o pé no chão quando a sua maior vontade é cair na estrada e esquecer de tudo e de todos?

Como manter o ânimo e a força para enfrentar a vida quando se percebe que quase todos os seus esforços acabam se perdendo, por esse ou aquele motivo?

Como manter a fé quando se vê tanta coisa estranha acontecendo na sua vida ao mesmo tempo?

Como manter o foco quando sua cabeça está funcionando a milhão, pensando no que foi, no que deveria ter sido, em quem deveria ter ficado por perto…?

Como manter a tranquilidade quando se vê pessoas queridas em situações complicadas e não se tem poder para mudá-las?

Incertezas

Cada decisão tomada, inevitavelmente, implica uma consequência – que pode ser boa ou má, dependendo da escolha feita e das pessoas envolvidas. Assim como a morte é o fim dessa vida terrena, esta é uma das maiores certezas que tenho: tudo o que fazemos gera um retorno e, por isso, cada ação deve ser pensada com cuidado.

Conforme crescemos, essas consequências têm seu grau de importância e seu impacto ampliados, uma vez que as decisões passam a ser, muitas vezes, mais “adultas” e sérias.

Com a maturidade que (normalmente) vem com a vida adulta, com nosso crescimento e com nossas vivências, era de se esperar que, com o tempo, nos sentíssemos mais confiantes para tomar determinadas atitudes e mais conscientes do tipo de retorno que teremos. Sem crises, sem receios, sem sofrimento. Mas não é assim. Nunca é assim.

A cada dia que passa me sinto mais “iniciante” na vida, sem certezas, sem seguranças, sem grandes convicções, sem verdades absolutas. Isso faz parte de ser adulta? Ou isso me torna, apenas, uma criança de 34 anos brincando de ser gente grande?