Sometimes I feel…

Acordei com Under the bridge na cabeça e pensando sobre como esta letra – ou, ao menos, parte dela – e o sentimento que ela retrata são recorrentes por aqui. 

Sometimes I feel like I don’t have a partnerSometimes I feel like my only friend

Como é possível viver em uma cidade como São Paulo, em contato permanente com tantas pessoas e, ainda assim, conseguir se sentir só, sem ter com quem contar? Como é possível passar por uma vida inteira, conhecendo gente aqui e ali, e ter a sensação de que se é alguém avulso no mundo? 

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Pearl Jam faz show intenso com mais de 3 horas de duração em São Paulo

Por Paula Craveiro para Drop Music

Fã que é fã não se intimida com calor de mais de 30 graus nem com chuva intensa, ventania e tempestade de raios. E isso foi comprovado pela legião de fãs do Pearl Jam que lotou o estádio do Morumbi, em São Paulo, na noite de 14 de novembro, para a apresentação da turnê Lightning Bolt, do álbum homônimo lançado em 2013.

Liderada pelo vocalista Eddie Vedder, a banda de Seattle, com 25 anos de carreira, subiu ao palco mostrando a que veio: tirar os fãs do chão, levar amor às pessoas e deixar momentos inesquecíveis na lembrança de todos. Afinal, um show com 3h10 de duração, marcado por clássicos e covers de primeira linha, não cai fácil no esquecimento.

Logo no início da apresentação, Vedder comentou, em português, auxiliado por anotações em uma folha de papel, sobre o atentado ocorrido em Paris, na França, na noite de sexta-feira, 13, que resultou na morte de mais de 140 pessoas e que deixou outras 350 feridas. “Muito obrigado por estarem aqui. Sentimos que precisamos estar com pessoas hoje”, ele começou. “Nosso amor vai para Paris. Temos muito o que superar juntos”. Na sequência, tocaram a canção Love Boat Captain que, em seu refrão, traz a mensagem “all you need is love” (tudo o que você precisa é amor”.

Músicas como Do The Evolution, Hail Hail e Lightning Bolt fizeram o público ir à loucura, pulando e cantando sem parar.

Com pouco mais de 1 hora de apresentação, o vocalista avisou o público que, por conta dos fortes ventos e da chuva que estava prestes a cair, a banda precisaria fazer uma pausa de cerca de dez minutos, tempo suficiente, segundo ele, para que algumas medidas de segurança fossem tomadas e o show pudesse seguir tranquilamente. Enquanto a banda se preparava para deixar o palco para que a equipe técnica cuidasse dos instrumentos e verificasse a estrutura, Vedder cantou, de improviso, Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town, que não estava prevista no setlist.

No retorno ao palco, não faltaram clássicos, como Even Flow, Jeremy e Better Man, sucessos do primeiro álbum da banda, Ten, de 1991, que incendiaram o público que, àquela altura, já não estava mais se importando com a chuva que caía sem parar.

Um dos pontos mais altos da noite foi a sequência de Imagine, cover de John Lennon, que reforçou a fala de Vedder no início da apresentação sobre paz e amor, e Sirens, que emocionou boa parte do público. O setlist mesclou canções não muito conhecidas do grande público, como Long Road e Of The Girl, com alguns dos principais hits da banda, como Alive e Black, canções em que, em diversos momentos, as vozes do público sobrepunham à voz de Vedder. As únicas “falhas” do repertório, apontada por alguns fãs, foram as ausências das populares Last Kiss e Daughter.

A apresentação foi encerrada por outros dois covers – Rockin’ in the Free World, de Neil Young, e All Along the Watchtower, de Bob Dylan –, que deixaram os fãs ansiosos pelo retorno da banda a São Paulo. Como “bônus”, antes da canção de Dylan, o vocalista levou um belo de um escorregão e caiu sentado no palco molhado, rindo e arrancando risos do público.

A turnê segue agora para Brasília, onde a banda se apresentará em 17 de novembro no Estádio Nacional Mané Garrincha; Belo Horizonte, no dia 20, no Estádio do Mineirão; e Rio de Janeiro, no dia 22, no Estádio do Maracanã.

 

Setlist
1- Long Road
2- Of the Girl
3- Love Boat Captain
4- Do the Evolution
5- Hail Hail
6- Why Go
7- Getaway
8- Mind Your Manners
9- Deep
10- Corduroy
11- Lightning Bolt
12- Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town
13- Even Flow
14- Come Back
15- Swallowed Whole
16- Given to Fly
17- Jeremy
18- Better Man
19- Rearviewmirror

1° Encore
20- Footsteps
21- Imagine (cover de John Lennon)
22- Sirens
23- Whipping
24- I Am Mine
25- Blood
26- Porch

2° Encore
27- Comatose
28- State of Love and Trust
29- Black
30- Alive
31- Rockin’ in the Free World (cover de Neil Young)
32- Yellow Ledbetter
33- All Along the Watchtower (cover de Bob Dylan)

Backstreet is back, alright!

E hoje, por pouco mais de duas horas, eu voltei a ser adolescente, com meus 16, 17 anos.

E deixei o “mundo real” um pouco de lado.

E me encantei ao ver o Kevin, o Nick, o Howie, o AJ e o Brian.

E eu dancei como há muito não fazia.

E eu ri como há muito não ria.

E cantei. Cantei muito. Cantei com gosto. Cantei com vontade.

E voltei para casa com a alma lavada, querendo mais.

Backstreet BoysIn A World Like This Tour
Citibank Hall – São Paulo14/jun/2015
Setlist

Com Elvis na Paulista – ou Batendo palma pra louco dançar

Tem muita gente que leva a vida no vai-da-valsa, sem se preocupar com nada nem com ninguém. Vive como se a vida fosse a coisa mais banal e, por isso, opta por não esquentar a cabeça com nada. Por outro lado, existem aquelas pessoas que esquentam a cabeça com tudo, que vivem se autoincumbindo de resolver tudo, de salvar o mundo. Acredito que eu esteja no meio termo, me equilibrando entre um e outro, embora, em alguns momentos, tenha mais inclinação para o segundo grupo.

Hoje, por exemplo, eu estava totalmente inserida no grupo 2. Explico: trabalho na Avenida Paulista, uma das mais importantes regiões de São Paulo. Um local onde existe de tudo um pouco (e é essa diversidade que mais me faz amar esse lugar). Na porta de um shopping aqui na avenida, praticamente ao lado do meu escritório, diariamente tem um cover do Elvis. O cara passa horas e horas cantando  Suspicious Minds, Blue Suede Shoes e afins. Hoje, durante o horário de almoço, ele contou com a “participação especial” de dois moradores de rua que, a seu jeito, improvisavam diversas coreografias.

Elvis

(Crédito: Márcia Vilas Boas)

A situação, por si só, poderia ser divertida – havia música e pessoas dançando, sem se importar com os que estavam ao redor. No entanto, enquanto eu acompanhava o desempenho do cantor e seus dançarinos, caiu minha ficha para o seguinte fato: um cara tentando ganhar a vida, a seu modo, e dois moradores de rua, visivelmente com transtornos mentais, eram alvo de deboche. Calculo que houvesse cerca de 50 pessoas paradas ali perto. Algumas fotografavam ou filmavam os “doidos”, como comentou uma moça com seu namorado; outros os apontavam e riam; outros apenas balançavam a cabeça em tom de reprovação.

Fiquei pensando: “será que essas pessoas têm consciência da insensibilidade disso tudo?”. Não apenas por seus pensamentos, que de tão gritantes podiam ser ouvidos por quem estivesse ao lado, mas por todo o contexto que englobou aquela cena. Homens em seus ternos bem cortados e com seus Blackberries em mão, e mulheres bem vestidas, com seus iPhones, bolsas e sapatos caros, cujo valor total poderia suprir a necessidade de alimento desses “doidos” por um bom tempo, ficaram ali, parados, rindo, como se aquelas pessoas estivessem ali apenas para diverti-los, não se lembrando que aqueles três – em especial os moradores de rua – são, antes de serem seus bobos da corte particulares e não remunerados –, seres humanos. Eles estavam, literalmente, “batendo palmas pra louco dançar”.

Senti muita vergonha por esses homens e mulheres “felizes e superiores”, que dedicaram parte de seu tempo para rir da desgraça alheia, como se tudo aquilo – o desequilíbrio mental, a sujeira nos corpos, a falta de senso de autopreservação, a dancinha estilo “clube das mulheres” (com direito a nota falsa de real presa no elástico da bermuda de um deles) – em cima de uma caixa qualquer largada na avenida, fosse mera encenação, como se nada daquilo fosse real.

Fico constrangida, com muito vergonha mesmo, ao ver o rumo que o ser humano está seguindo. Parece que as pessoas perderam a noção de humanidade e a sensibilidade. Desde quando é divertido rir da miséria humana? Por que as pessoas não tentam, pelo menos um pouquinho, se colocar no lugar das outras para ver qual é a sensação? Para mim, é impossível ver coisas assim e achá-las engraçadas. A sensação é o oposto. Aqueles “doidos”, os “bobos da corte da Paulista” são, acima de tudo, seres humanos, gente como eu e você, de carne e sono, e merecem nosso respeito. Não dá para presenciar situação grotesca como essa sem me doer pelo próximo, independente de quem ele seja, e sem perder a fé no ser humano. Não dá…

Because We Can

Não tem jeito: quando o assunto é Bon Jovi, volto a ser adolescente mesmo. É mais forte que eu (e que muitas pessoas que conheço e vivenciam a mesma sensação há anos).

Nova turnê anunciada – Because We Can World Tour 2013 –; algumas datas confirmadas (Canadá e Europa); torcida para que, entre as próximas, estejam as datas de São Paulo e Rio de Janeiro (sem Rock in Rio, por favor); corrida para associação ao Backstage (pela primeira vez na vida); planos sobre como bancar todas as despesas sem comprometer o orçamento…

É, não tem jeito. A cada turnê, a cada novo lançamento de CD e/ou DVD, lá vamos nós novamente.

Because they can.

Because We Can World Tour 2013

Há dois anos…

Há dois anos, a esta hora (10h), eu estava chegando ao Morumbi, onde ficaria numa fila, sob um sol digno de Rio de Janeiro e acompanhada por pessoas muito queridas, até às 18h, quando os portões da pista premium finalmente se abiriam e eu poderia entrar no estádio, para aguardar mais três horas, até o show da “minha” banda de coração. Nem mesmo a apresentação infernal do Fresno fez com que aquele dia deixasse de ser especial…

Adoraria saber quando será o próximo show deles por aqui…

Coletiva de imprensa

Jon Bon Jovi

Richie Sambora e Jon Bon Jovi

Jon Bon Jovi

Richie Sambora e Jon Bon Jovi

Jon Bon Jovi

O Brasil é mais que isso

Fico realmente decepcionada quando percebo a incapacidade do povo brasileiro em apresentar as coisas boas que nós temos aqui. E, sim, nós temos muita coisa boa nessa terra!

Hoje, vendo o perfil do baixista Nikki Sixx no Facebook, encontrei duas fotos que ele tirou durante a passagem do Mötley Crüe por São Paulo e fiquei realmente chateada. Não com ele, mas com as pessoas que se encarregaram de levá-lo para conhecer a minha cidade.

São Paulo tem tantos lugares interessantes para se conhecer (museus, teatros, parques, restaurantes típicos, e por quê não, prédios, bairros com cara de cidadezinhas interioranas…), a vida cultural aqui é tão intensa! Mas, ao invés de mostrar que brasileiro é um povo civilizado, nossos queridos compatriotas levaram Sixx para conhecer a Cracolândia. A CRACOLÂNDIA!

Gente estúpida! Por que não mostramos nossas belezas e ressaltamos nossos pontos fortes, como os americanos e os ingleses, por exemplo, fazem constantemente e tão bem em seus filmes e seriados? Por que não nos gabamos – sem o menor pudor mesmo – de nossas praias, nosso povo hospitaleiro e simpático, nosso bom humor, nossa arquitetura, nossos profissionais, nossa rica cultura (porque nós temos uma cultura bastante variada sim, mas que por nossa culpa, em partes, é constantemente negligenciada e tratada como subcultura). Temos vergonha do que é nosso?

Lamentável como perdemos a oportunidade de nos apresentarmos dignamente para o mundo. Triste saber que muitos estrangeiros que visitam o Brasil (a passeio ou trabalho) entram aqui pensando que somos macacos, dançamos como Carmem Miranda ou seminus como passistas de escola de samba e jogamos futebol, e saem com uma imagem um pouco pior, achando que também somos uma nação de criminosos, que vivem traficando e matando livremente, sem o menor problema. Afinal, se é isso que apresentamos aos nossos turistas, se é isso que mostramos em nossas novelas e filmes, provavelmente é isso que somos mesmo. Não é?