Sometimes I feel…

Acordei com Under the bridge na cabeça e pensando sobre como esta letra – ou, ao menos, parte dela – e o sentimento que ela retrata são recorrentes por aqui. 

Sometimes I feel like I don’t have a partnerSometimes I feel like my only friend

Como é possível viver em uma cidade como São Paulo, em contato permanente com tantas pessoas e, ainda assim, conseguir se sentir só, sem ter com quem contar? Como é possível passar por uma vida inteira, conhecendo gente aqui e ali, e ter a sensação de que se é alguém avulso no mundo? 

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Sinais

Existe algum sinal, algum sintoma, qualquer coisa que sirva como indicação concreta de que uma pessoa está chegando ou já chegou ao seu limite? Dor no peito? Vontade persistente de chorar? Desejo de não sair da cama ou não ouvir a voz de ninguém? Reação exagerada a uma situação de estresse? Sensação de irritação por tudo e por nada? Dores pelo corpo sem motivo aparente? Insônia ou excesso de sono? Vontade de largar tudo? Como saber se chegamos a esse limite?

Cara a cara

Se eu pudesse realizar um desejo hoje, neste momento, certamente seria ter a chance de bater um papo com Deus, cara a cara; e perguntar tudo o que eu gostaria de entender sobre a minha vida. O porquê de muitas coisas que acontecem ou que não acontecem; o porquê de as coisas serem como são; de eu ser como sou; os motivos de eu me sentir como me sinto; de algumas pessoas serem como são comigo… Seria incrível ter esse contato direto com Ele e entender a minha vida. Talvez Ele pudesse me mostrar algum sentido nisso tudo, porque até agora eu ainda não entendi nada…

Quotes about me

Fazia muito tempo que eu não relia as quotes que eu havia postado aqui. De algum modo, eu sentia como se elas não dissessem mais nada – ou, ao menos, não tanto – sobre quem eu sou agora, anos depois. Mas a maioria delas continua fazendo total sentido sobre a minha vida, sobre o meu momento, sobre mim.

“Ninguém espera que puxem abruptamente o seu tapete. Acontecimentos capazes de mudar a vida não costumam se fazer anunciar. Embora o instinto e a intuição possam ajudar dando alguns sinais, pouco podem fazer para preparar você para o sentimento de desarraigamento que se segue quando o destino vira seu mundo de pernas para o ar. Raiva, confusão, tristeza e frustração mesclam-se dentro de você num turbilhão. Leva anos para que a poeira emocional assente, enquanto você se empenha ao máximo apenas para conseguir ver através da tempestade”. [Slash]

“Vivi altos e baixos extremos e enfrentei todos até o fim. Mas quando estão tão próximos que parecem se entrelaçar, se tornam algo alienante. É algo mais também; de repente, o que antes fora familiar fica estranho e nada se mantém estável”. [Slash]

“Eu não vou me desculpar pelo que sou.
Eu não vou me desculpar pelo que necessito.
Eu não vou me desculpar pelo que quero”.
[Frank Mackey (Tom Cruise) em Magnólia]

“(…) Essa maldita vida. / É tão difícil. / Ah Deus! / A vida não é curta, é longa. (…)
[trecho de Magnólia – ? para Phil]

“Estou cansada, cada vez mais incompreendida e insatisfeita comigo, com a vida e com os outros. Diz-me, porque não nasci igual aos outros, sem dúvidas, sem desejos de impossível? E é isso que me traz sempre desvairada, incompatível com a vida que toda a gente vive…” [Florbela Espanca]

“Quando eu olho para trás eu vejo tanto esforço, tanta dedicação, tanto trabalho. Para quê? E a minha vida? A minha vida eu guardei para depois. Mas eu nunca pensei que poderia não haver um depois.” [E Se Fosse Verdade/Just Like Heaven, 2005]

 “… entrei num ritmo frenético de pensamentos e, de repente, dá uma caída e você entra num lugar estranho dentro de você mesma…”

 “Eu quero deixar uma marca. Mas (…) as marcas que os seres humanos deixam são, com frequência, cicatrizes.” [A Culpa é das Estrelas]

4 anos de vida!

Há quatro anos, eu estava com meus pais e minha madrinha no Hospital do Rim, aqui em São Paulo, contando os segundos – sem sentir medo; eu tinha a estranha certeza de que tudo correria bem – para que meu pai finalmente conseguisse um novo rim. Dia 28 de julho de 2012 foi o dia em que ele voltou a viver.

Nesse mesmo dia, depois de anos de tormento e de revolta, eu decidi que não questionaria mais as decisões de Deus, porque, apesar da demora para meu pai conseguir um rim e do tempo de hemodiálise que ele precisou enfrentar (e tudo o que aconteceu nesse período), Ele fez com que o transplante desse certo e o rim começasse a funcionar praticamente no mesmo instante. Eu sempre brinco que nunca imaginei que eu pudesse ficar tão feliz com uma “bolsinha” coletora de urina como fiquei naquele dia…

Não existem, e jamais existirão, palavras suficientes para agradecer por esse milagre que Deus fez na vida do meu pai nem o que a família do doador (um rapaz do interior, pelo que eu soube) fez por ele e possivelmente por outras pessoas. Minha gratidão será eterna.

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O incômodo da incerteza

Se tem uma coisa que me incomoda profundamente é a sensação de incerteza. Incerteza sobre a vida, sobre o trabalho, sobre a família, sobre a saúde, sobre as finanças, sobre o futuro.

Como boa virginiana que sou, gosto das coisas claras, gosto de “cartas na mesa”, com o máximo de detalhes e informações a respeito, o mais organizadas e estáveis possíveis.

Não sou dada a deixar nada por conta do “acaso” – não acho que ele faça um bom trabalho improvisando as situações. Não gosto de dar tiros no escuro, pois sei, por experiência de vida, que a chance de eu acertar ao alvo é mínima – nula, na verdade, já que sou péssima de pontaria. E não gosto de depender do “quem sabe”, do “talvez”, do “pode ser que” e, menos ainda, do tal do futuro. É incerto, é apavorante e pode muito bem simplesmente não acontecer.

Gosto de ter certeza ou, pelo menos, de algo o mais próximo possível disso; gosto de estabilidade, de garantias, de “pé no chão”. Sei muito bem me virar (quase sempre, pelo menos) quando o infame acaso resolve agir e sou obrigada a contornar a situação, mas odeio quando tenho que fazer isso, quando tenho que recomeçar, quando tenho que me virar do avesso para corrigir algo que eu não errei, que eu não mudei, que eu não tive poder para manter como estava. Me angustia a sensação de ter que recomeçar do zero quando eu sei que já estava bem mais avançada e que tinha tudo para me manter indo em frente, mas o acaso, ah, o acaso resolveu mudar as regras do jogo e me derrubou no meio do caminho.

Tenho me sentindo muito incomodada com a incerteza sobre a vida, sobre o trabalho, sobre a família, sobre a saúde, sobre as finanças, sobre o futuro.

Queria poder escrever um texto enorme…

Queria poder escrever um texto enorme, contando tudo o que se passa pela minha cabeça. Falar sobre trabalho, dinheiro, amor, amizades, conquistas, frustrações… especialmente sobre tudo o que está acontecendo neste exato momento comigo. Falar sobre perdas e ganhos, falar sobre a dificuldade de lidar com o ser humano, falar sobre lutas e derrotas, sobre desejos e expectativas, sobre frivolidades, sobre medos e inseguranças, sobre sonhos e desilusões, sobre precisar jogar a toalha em algumas situações, sobre oportunidades que escorrem pelos dedos, sobre algumas injustiças da vida, sobre depressão, sobre perder o tesão por algumas coisas…

Queria poder escrever um texto enorme, que me ajudasse a exorcizar uma série de coisas que tem rondando os meus pensamentos ultimamente. Me livrar de algumas ideias que me fazem mal, de sensações que me deprimem, de situações que não me ajudam a seguir adiante e ter uma vida diferente.

Queria poder escrever um texto enorme, no qual eu conseguisse explicar, com todos os detalhes possíveis, tudo aquilo que eu sonho e, principalmente, tudo aquilo que me aflige. Pessoas que vieram e já se foram de minha vida; pessoas que vieram e ficaram; pessoas que nunca vieram, mas que, sabe-se lá como, ficaram; situações que me amarraram a algumas lembranças e que, por algum motivo, me impedem de seguir em frente em alguns aspectos; marcas que ficaram sem que eu sequer me lembre como elas foram deixadas em mim; amigos que nem sempre foram/são tão meus amigos; colegas que são mais amigos do que eu penso…

Queria poder escrever um texto enorme, contando cada uma das ideias – loucas ou geniais – que se passam pela minha cabeça; cada sentimento bom ou cada dor sentida; cada dúvida ou cada certeza que eu tenho. Mas não dá. Porque, por mais que eu viva em função das palavras, por mais que eu dependa delas para obter o meu sustento, por mais que elas me completem e me façam companhia, elas também já me colocaram em situações delicadas e, quando em mãos “maldosas”, ajudaram a me ferir, ao mesmo tempo em que tinham me ajudado a cicatrizar algumas feridas.

Queria poder escrever um texto enorme e falar sobre tudo isso, mas me falta coragem para expor tudo o que se passa por aqui dentro e, mais ainda, me faltam palavras para explicar tudo isso.